Adeus, fios nos postes: cidades brasileiras começam a implementar rede elétrica subterrânea e transforma o visual de todas ruas
Projetos avançam em diferentes regiões do país com a promessa de criar espaços urbanos mais seguros, organizados e preparados para o futuro

Postes sobrecarregados, cabos cruzando avenidas e fios abandonados formam uma paisagem comum em boa parte do Brasil. Com o crescimento das cidades e a expansão dos serviços de energia, internet e telefonia, essa estrutura ficou cada vez mais carregada e passou a causar problemas que vão além da aparência.
Por isso, projetos de implantação de redes elétricas subterrâneas começaram a avançar em diferentes regiões.
A proposta consiste em retirar parte dos cabos dos postes e instalar a infraestrutura abaixo do solo, principalmente em áreas históricas, comerciais, turísticas ou com grande circulação de pessoas.
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Além de reduzir a poluição visual, a mudança busca aumentar a segurança, melhorar a acessibilidade das calçadas e diminuir os impactos provocados por temporais e quedas de árvores.
Poluição visual motivou novos projetos
Um dos principais motivos para o enterramento dos cabos é o excesso de fios nas ruas.
Em muitos pontos, redes de energia, telefonia e internet dividem os mesmos postes, criando grandes emaranhados.
Além de deixarem as vias com aparência desorganizada, os cabos podem esconder fachadas, monumentos, construções históricas e árvores.
Também existem fios desativados que permanecem presos aos postes mesmo depois de perderem a utilidade.
Com a rede subterrânea, as ruas ganham um visual mais limpo.
Fachadas ficam mais visíveis, a arborização recebe menos interferência e os espaços urbanos podem ser reorganizados.
Fios rompidos podem causar mortes
A segurança também impulsiona a busca pelo novo modelo.
Durante chuvas fortes, colisões contra postes ou quedas de árvores, cabos podem se romper e cair sobre ruas, calçadas, veículos e imóveis.
Mesmo sem produzir faíscas, um fio no chão pode continuar energizado.
O contato direto ou a aproximação inadequada pode provocar choques, queimaduras graves e até levar uma pessoa à morte.
Animais também ficam expostos ao perigo. Por isso, cabos caídos nunca devem ser tocados ou retirados por moradores.
A orientação é manter distância e acionar imediatamente a concessionária responsável.
Protegida abaixo do solo, a rede fica menos vulnerável a ventos, galhos e acidentes de trânsito.
Contudo, o sistema subterrâneo não elimina completamente as falhas, já que alagamentos, obras e problemas nos equipamentos também podem causar interrupções.
Cidades adotam o modelo gradualmente
São Paulo está entre as cidades que já realizaram intervenções em pontos estratégicos.
No entorno do Museu do Ipiranga, parte da fiação foi enterrada, permitindo a retirada de postes e deixando construções e áreas verdes mais visíveis.
Brasília também possui redes subterrâneas em regiões planejadas do Plano Piloto.
O modelo ainda foi implantado em trechos do Setor Noroeste, onde cabos e equipamentos foram instalados abaixo do solo para reduzir obstáculos na superfície.
Curitiba, por sua vez, desenvolve estudos para enterrar cabos elétricos e de telecomunicações em áreas estratégicas.
A proposta envolve a análise dos custos, das regiões prioritárias e do modelo de parceria necessário para executar as obras.
Esses exemplos mostram que a substituição costuma começar em espaços de maior interesse histórico, turístico, comercial ou urbanístico.
O custo elevado impede que toda a rede de uma cidade seja modificada de uma só vez.
Calçadas podem ficar mais acessíveis
A retirada dos postes também pode melhorar a circulação de pedestres.
Em calçadas estreitas, essas estruturas dificultam a passagem de cadeirantes, idosos, pessoas com carrinhos de bebê e moradores com mobilidade reduzida.
Com menos obstáculos, o espaço pode receber novas áreas de circulação, arborização e mobiliário urbano.
Além disso, as árvores deixam de disputar espaço com os cabos, diminuindo a necessidade de podas agressivas próximas à rede elétrica.
Apesar das vantagens, o sistema exige abertura de vias, construção de galerias e criação de acessos para manutenção.
Ainda assim, o avanço dos projetos revela a busca por cidades mais seguras, organizadas e preparadas para o crescimento urbano.
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