Professor de Anápolis conquista três títulos em uma única competição internacional de jiu-jítsu
Junior Magal chegou a enfrentar soldado americano durante final de uma das quatro categorias em que lutou

Cinco anos depois de se tornar o primeiro anapolino a conquistar um título internacional de jiu-jítsu, um professor de Anápolis alcançou um feito ainda maior: conseguiu três títulos em uma única competição nos Estados Unidos.
Cleydson Junior, mais conhecido como Junior Magal, competiu no North American Grappling Association (NAGA) no início de agosto. Para se ter noção, este é um dos principais torneios mundiais do esporte e costuma aparecer no currículo de lutadores de UFC.
Ele explicou ao Portal 6 que competiu em quatro categorias: até 90 kg com e sem kimono, Absoluto com e sem kimono (uma que não tem limite de peso).
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O professor diz que sonhava com o título desde que era criança, e descreve que “o pessoal do evento ficou encantado”.
Magal compartilha que tinha a expectativa de conseguir o ouro em pelo menos uma das categorias: “não é possível que não vou conseguir pelo menos algum título, né?”. Acabou se surpreendendo.
Também detalhou que até hoje se sente nervoso antes de subir no tatame. “Antes de lutar a primeira luta, sempre é horrível. Você já entra com aquele frio na barriga. Quando atleta de alta performance falar que não tem, tem sim”, brinca.
“Mas a hora que você começa a lutar, toma umas duas pancadas, você sente e fala ‘não, agora vamos de cabeça no jogo’. É entrar focado na estratégia, que aí não deixa o emocional bater tão forte”.
O próximo passo é ir ao Rio de Janeiro para tentar o tricampeonato no Sul-Americano. Depois, voltar aos Estados Unidos para competir o Mundial, desta vez em Las Vegas. “Só falta ele para zerar o game”.
Carreira longa
Proprietário da Academia Magal-Kan, localizada na Cidade Universitária, Magal conta que começou a lutar aos quatro anos de idade, no karatê, quando ainda morava em Alexânia.
Decidiu se aventurar no jiu-jítsu aos 15 anos, quando o MMA ganhava cada vez mais atenção. Atualmente, é faixa preta grau três (são seis ao todo, que levam 24 anos para serem completados).
“Fiz bastante luta de MMA pelo mundo. Lutei [o campeonato] russo, da Espanha, Portugal, Londres. Quando retornei, vim para Anápolis e um amigo estava vendendo uma academia”, relembra.
A aquisição serviu como combustível para ser campeão. “Não tem como ser dono de academia e não ter título nenhum. Aí comecei a treinar, me dedicar ao esporte, lutar aqui. Comecei pelos municipais, estaduais, fui ganhando no Centro-Oeste e comecei os campeonatos fora”.
Currículo quase completo
Magal considera que faltavam poucas conquistas para completar o currículo. Uma delas era o Brasileiro, que aconteceu em janeiro: “é um campeonato muito concorrido, pega 6 mil atletas. E consegui ser campeão”.
“Quando voltei dele, surgiu a oportunidade de ir para os Estados Unidos”, relata. Com a passagem de avião patrocinada, ele diz que “estava embalado do título brasileiro” e descreve que “estava bem no dia, acordei bem”.
O tamanho do NAGA pode ser visto por meio dos competidores. Em uma das categorias, por exemplo, Magal descreve que teve que enfrentar um soldado americano. E acrescenta: “só de estar saindo do seu país para tentar, estar lutando lá fora, já é um grande desafio”.
Ao falar da preparação, o professor diz que continua focado mesmo sem competições marcadas. “Quando não sou eu lutando, meus alunos estão competindo. Então é sempre porrada, não para”, afirma.
Dicas para quem quer começar
Para quem quer começar no jiu-jítsu, Magal orienta que procurem academias preparadas, com mestres certificados e legalizados, que saberão fazer os primeiros-socorros em caso de necessidade.
Ele diz que o jiu-jítsu “é além de um esporte. É um estilo de vida” e conta que é a segunda modalidade que mais cresce no mundo, “um dos esportes que mais faz a inclusão social”.
Também defende que pode ser um escape, tanto para quem está passando por problemas, quanto para quem tem certas condições de saúde, como a diabetes ou o tabagismo.
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