De Anápolis para Cancún: estudantes conquistam vaga em Mundial de Dança com coreografia inspirada em ‘Matrix’

Equipe conquistou o prêmio principal da 23ª Edição do Goiânia Dance e vaga para representar o Brasil no Universal Dance

Ícaro Gonçalves -
Dançarinas de Anápolis
Dançarinas do Colégio Couto Magalhães durante a apresentação ‘Matrix’ (Foto: Divulgação)

O que começou como um projeto de dança dentro do ambiente escolar tem ganhado grandes horizontes, e agora pode levar as alunas do Colégio Couto Magalhães a representar Anápolis a um desafio internacional.

Após conquistar importantes premiações na 23ª Edição do Goiânia Dance, as meninas do grupo de dança do colégio agora se preparam para competir na Universal Dance, que ocorrerá ainda esse ano em Cancún, no México.

Na competição regional, que ocorreu entre 05 e 07 de junho no Teatro Goiânia, as dançarinas ficaram em 1º lugar na categoria Infantojuvenil Estilo Livre, além de receberem o prêmio de Melhor Coreografia Geral.

A coreografia escolhida chamou atenção ao unir a dança com o cinema, em uma releitura cênica do filme ‘Matrix’, de 1999.

Composto por 10 dançarinas com idades entre 12 a 14 anos, o grupo encantou os jurados nos quase quatro minutos de apresentação.

Emoções à flor da pele

Em entrevista ao Portal 6, Ana Claudia de Almeida, mãe da dançarina Ester de Almeida, revelou o orgulho de ver a filha juntamente com as colegas de palco vencendo a disputa.

“Foi muito emocionante, porque é uma coreografia de bastante movimento, de movimentos fortes, firmes, seguros e muito envolvente”, relembrou Ana. O sucesso foi ratificado pelo feedback dos jurados, que enviaram áudios com elogios à apresentação.

“Foi muito interessante que um dos coreógrafos, um dos avaliadores, falou no áudio: ‘me até deu vontade de estar lá em cima do palco com elas'”, revelou.

A mãe conta que Esther iniciou no mundo da dança muito cedo, aos três anos de idade, e ingressou no grupo do Couto Magalhães em 2023 sob a tutela da professora e coreógrafa Flávia Leite.

No grupo, a adolescente tem uma rotina intensa que une os estudos, as aulas de dança e atividades extracurriculares. A dedicação integral não compromete o rendimento escolar de Esther, segundo Ana, que vê a atividade como uma aliada na formação da jovem.

“A dança para ela só tem a agregar em todo o estudo, porque essa disciplina que ela tem na dança, ela transfere também para os estudos”, afirmou.

Criatividade e dedicação que venceu barreiras

Ao Portal 6, a professora e coreógrafa Flávia Leite revelou que a vitória no Goiânia Dance superou todas as expectativas, especialmente por se tratar de uma equipe de escola regular competindo contra academias profissionais.

O grupo surpreendeu os jurados com a coreografia de tirar o fôlego, inspirada no filme ‘Matrix’. “A nossa foi a melhor coreografia, foi algo que surpreendeu todo mundo. Eles jamais esperariam uma dança escolar, de um colégio do interior, pegar o prêmio máximo”, destacou a professora.

Flávia relembra que, ao descobrir que conquistaram o primeiro lugar na competição regional, as meninas do Couto Magalhães foram tomadas por uma imensa alegria.

“Quando a gente entrou no palco, falei assim: ‘Meninas, vocês não têm a segunda chance. É agora. Então deem o máximo de vocês’. E elas conseguiram. No outro dia a gente foi lá para ver a o resultado. Saiu o primeiro lugar, e aí o prêmio destaque, que é o principal da competição, de melhor coreografia do evento. Foi muita emoção”, destacou.

E a emoção foi ainda maior quando as estudantes receberam a notícia de que haviam sido convidadas para disputar a Universal Dance, competição mundial que neste ano de 2026 ocorrerá entre os dias 21 e 26 de outubro na cidade de Cancún, no México.

Para alcançar o índice do mundial, as estudantes precisavam atingir a nota de corte de 8,5 pontos na seletiva internacional enviada por vídeo. O grupo de Anápolis atingiu exatamente a pontuação necessária, destacando-se entre quase 500 coreografias de mais de sete países.

“O anfitrião me mandou um e-mail e falou: ‘Olha, você tem um grupo interessante, que consegue participar. Dependendo da nota, vocês podem competir na etapa nacional, na sul-americana, ou no mundial'”, recordou Flávia.

“Eu pensei, a gente pode tentar para o Brasil ou para a Argentina, quem sabe. E eu mandei o vídeo delas. A gente fez novamente coreografia e filmou. Então mandamos para essa seletiva que foi dia 4 de julho. E aí na terça-feira saiu o resultado. Fomos selecionadas para o mundial”, ressaltou a conquista.

Para além do sucesso nos palcos, a professora ressalta que a maior conquista do projeto é a transformação pessoal e social na vida das meninas. O rigor dos ensaios ajudou a desenvolver valores como disciplina, empatia e trabalho em equipe que elas carregarão por toda a vida.

Dançarinas de Anápolis

Dançarinas do Colégio Couto Magalhães durante a apresentação ‘Matrix’ (Foto: Divulgação”

Próxima parada: Cancún, México

Desde a conquista da vaga para o mundial da Universal Dance, o grupo tem corrido contra o tempo para viabilizar a viagem. Com o apoio engajado das famílias e da direção do colégio, a equipe busca patrocinadores para cobrir os custos e realizar o sonho de competir no México.

A equipe confia que a divulgação do projeto e das recentes conquistas possam atrair parceiros e transformar o sonho de representar Anápolis em realidade.

“Quando eu falei que elas passaram, elas choraram tanto, as mães ficaram emocionadíssimas. Eu estou bem satisfeita e confiante que a gente  vai conseguir fazer essa viagem. E por isso que a gente está correndo atrás”, finaliza.

 

 

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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