Faxineira juntou dinheiro por 9 anos para comprar um terreno e criar o filho, e ergueu a casa com 7 toneladas de plástico reciclado no lugar de tijolos para criar seus filhos

Após economizar durante quase uma década, faxineira consegue casa própria feita com blocos produzidos a partir de plástico descartado

Gabriel Dias Gabriel Dias -
casa feita com plástico reciclável
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial/ChatGPT)

Depois de passar nove anos economizando parte do salário de faxineira para conseguir comprar um terreno, uma mãe da Costa Rica encontrou uma maneira inusitada de transformar o sonho da casa própria em realidade.

Cindy Mora Abarca construiu uma residência para viver com o filho usando cerca de 7 toneladas de plástico reciclado no lugar dos tradicionais tijolos.

O projeto foi realizado em Alajuelita, na região da Grande San José, e transformou garrafas, sacolas e outras embalagens descartadas em blocos utilizados na construção.

Terreno levou nove anos para sair do papel

Cindy passou quase uma década guardando o dinheiro que conseguia economizar do trabalho como faxineira. Mesmo após juntar o suficiente para comprar o terreno, ainda precisou recorrer a um empréstimo para concluir a aquisição.

Com o lote finalmente comprado, surgiu outro desafio: conseguir construir uma casa para ela e o filho, Fabrizio, que tinha 6 anos na época.

Foi nesse momento que uma parceria entre a Procter & Gamble, Habitat for Humanity Costa Rica, Urbarium e Ekojunto viabilizou uma solução diferente para a construção.

Plástico descartado virou bloco de construção

O projeto utilizou o sistema chamado Bloqueplas, desenvolvido pela Ekojunto. A tecnologia transforma resíduos plásticos em blocos que podem ser encaixados uns nos outros, dispensando o uso tradicional de argamassa entre as peças.

Garrafas, sacolas, embalagens e outros materiais foram recolhidos, higienizados, triturados e transformados nos componentes utilizados nas paredes.

Ao todo, aproximadamente 7 toneladas de plástico que poderiam terminar em aterros sanitários foram reaproveitadas na residência.

A obra também contou com mais de 800 horas de trabalho voluntário. O projeto começou em abril de 2018 e a família recebeu as chaves em 26 de maio daquele ano.

Casa foi projetada para resistir ao clima da região

A utilização do plástico levantou uma dúvida natural: seria possível construir uma residência resistente utilizando esse tipo de material?

Segundo a Urbarium, o sistema foi desenvolvido para suportar as condições climáticas da região e atender ao código de construção antissísmico da Costa Rica.

Entre as características atribuídas ao sistema estão isolamento térmico e acústico, resistência a intempéries e montagem mais rápida.

Projeto também combate o desperdício de plástico

Além de criar uma moradia, a iniciativa tinha um objetivo ambiental. Dados do Ministério da Saúde da Costa Rica citados pelo jornal La Nación apontavam que o país descartava aproximadamente 564 toneladas de plástico por dia em 2018, enquanto apenas cerca de 14 toneladas eram recicladas diariamente.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Jornalismo Cultural.

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