Saúde em Goiás: veja o que Daniel, Marconi, Wilder e Luis Cesar Bueno propõem para 2027-2030

Planos de governo revelam diferentes estratégias para reduzir filas de espera, descentralizar o atendimento e gerir a rede hospitalar pública goiana

Ícaro Gonçalves Ícaro Gonçalves -
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Candidatos ao Governo de Goiás, Daniel Vilela, Marconi Perillo, Wilder Morais e Luis Cesar Bueno (Fotos: Reprodução)

Faltam menos de 40 dias para o primeiro turno das eleições de 2026. Em Goiás, a disputa dos candidatos pelo Palácio das Esmeraldas se acirra a cada dia, enquanto a saúde pública desponta como um dos temas de maior relevância para o eleitorado.

Os planos de Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) apresentam diagnósticos distintos sobre a atual situação da saúde em Goiás e propõem caminhos diversos para estruturar o atendimento de 2027 a 2030.

O Portal 6 analisou as propostas definidas nos planos de governo dos quatro candidatos, listados com as maiores taxas de intenção de votos pela Paraná Pesquisas/Portal 6 do dia 18 de agosto, divididas por eixos estratégicos comuns. Confira:

1. Gestão hospitalar e o modelo de Organizações Sociais (OSs)

A forma de administração dos hospitais estaduais é um dos pontos de maior divergência entre os candidatos, variando desde a estatização completa até a manutenção e o aprimoramento dos contratos de terceirização.

O governador Daniel Vilela mantém o foco na modernização e ampliação da infraestrutura existente sob o modelo atual.

O destaque da proposta é a transformação do Hospital Estadual de Urgências de Goiás (HUGO) no “Novo HUGO”, com nova sede que passará de 342 para 460 leitos (sendo 90 de UTI), operando como um “Hospital do Futuro” com inteligência, automação e monitoramento em tempo real.

Também propõe a implantação do novo Hospital Estadual da Mulher, unificando o HEMU e a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes.

Marconi Perillo propõe a revisão e o aprimoramento dos serviços executados por Organizações Sociais (OSs), com o fortalecimento de mecanismos de governança, transparência, controle, avaliação de desempenho e qualidade dos serviços prestados.

Por sua vez, o senador Wilder Morais foca na organização do acesso e na cobrança de qualidade de cada contrato de gestão. Ele propõe que qualquer hospital regional conte com um plano de equipe, leito, insumo e contrato estruturado antes de receber novas ampliações físicas.

Já Luis Cesar Bueno defende uma mudança estrutural profunda, propondo a reestatização gradual da gestão hospitalar e a substituição das OSs e Organizações da Sociedade Civil (OSCs) pela administração pública direta.

O plano prevê uma auditoria pública e independente de todos os contratos vigentes nos primeiros 100 dias de governo. A meta é reestatizar as primeiras unidades-piloto (como o HUGO) no primeiro ano, atingir 50% da rede em dois anos e consolidar a gestão direta como regra em quatro anos.

2. Redução de filas, regulação e relação com a rede privada

O prazo para o atendimento em consultas, exames e cirurgias eletivas é tratado por todos os postulantes, que sugerem diferentes mecanismos de regulação e complementação de serviços.

Daniel propõe o programa “Saúde sem Espera”, que prevê a ampliação da oferta de procedimentos por meio de parcerias com a rede privada e filantrópica, além da criação da nova Tabela SUS Goiás (valores complementares aos prestadores).

O governador também sugere a modernização da regulação com inteligência de dados e filas unificadas organizadas por prioridade clínica.

Marconi planeja criar o “Saúde no Tempo Certo”, com a implantação de um painel integrado de controle e monitoramento 24 horas para identificar gargalos na regulação.

O plano também cita o uso complementar da rede privada para demandas acumuladas e casos de urgência sem vagas na rede pública. Para viabilizar financeiramente a estratégia, propõe a criação da Tabela SES para complementar os valores de referência do SUS.

Wilder apresenta o programa “Minha Vez, Saúde com Data”. O senador defende unificar as filas estaduais de consultas, exames, cirurgias e terapias em um sistema transparente que mostre a situação e a previsão de atendimento sem expor dados pessoais.

Também defende a criação da regra “Data na Guia”, com prazo de referência para o encaminhamento, e da Tabela SUS Goiás, também defendida por Daniel e Marconi.

Luis Cesar quer digitalizar e unificar a fila de regulação no primeiro ano de mandato, com transparência pública em tempo real.

O candidato foca na redução da fila de cirurgias eletivas por meio da reorganização estrutural da gestão hospitalar pública, limitando parcerias com entidades filantrópicas a caráter excepcional e sob rígidas contrapartidas.

3. Descentralização, regionalização e policlínicas

Levar o atendimento especializado para o interior do estado é outra diretriz compartilhada pelos candidatos, mas com diferentes níveis de integração municipal.

Para Daniel, o próximo governo deve fortalecer a regionalização com a ampliação dos Hospitais Estaduais e o fortalecimento das Policlínicas Estaduais, incluindo a implantação de serviços descentralizados de hemodiálise em todas as policlínicas.

As policlínicas também serão referências regionais para atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reabilitação.

Marconi também defende o fortalecimento da rede regional para evitar deslocamentos desnecessários. Propõe que, quando o deslocamento for inevitável, o Estado aperfeiçoe o transporte em articulação com os municípios.

O ex-governador ainda destaca a necessidade de uma articulação específica no Entorno do Distrito Federal junto à União e ao DF.

Wilder propõe a criação de uma política regional de fixação e formação em serviço para médicos, enfermeiros e outros profissionais em especialidades escassas no interior. Prevê a publicação de um mapa de ausência de atendimento e escalas das unidades públicas.

Por sua vez, Luis Cesar defende consolidar as cinco macrorregiões de saúde com planos de investimentos diferenciados para as regiões historicamente mais frágeis (Norte, Nordeste, Rio Vermelho e São Patrício).

Defende a ampliação do cofinanciamento estadual à Atenção Primária vinculado a indicadores de resultado nos 246 municípios.

4. Recursos humanos e concursos públicos

A valorização dos profissionais de saúde e o combate ao déficit de pessoal permanente também são abordados nos planos de governo.

Nas propostas do governador Daniel, o foco está na ampliação de equipes multiprofissionais e no suporte via telessaúde para otimizar a atuação dos profissionais nas diversas regiões do estado.

Marconi se compromete a fazer novos concursos públicos para recompor e fortalecer os quadros da saúde, de acordo com as necessidades da rede estadual. Defende que a escolha de profissionais para funções assistenciais e de gestão observe critérios estritamente técnicos.

Já Wilder apresenta a criação de sistemas de apoio local para que equipes do interior acessem o suporte de especialistas de forma remota, além de políticas de fixação de profissionais nas regiões com maior carência de atendimento.

Luis Cesar também defende a abertura de concurso público amplo e regular para reverter déficit de profissionais de saúde, além do fim da pejotização como prática de contratação.

O plano petista prevê a criação de um mecanismo de garantia de pagamento (seguro ou fiança) para trabalhadores em caso de encerramento abrupto de contratos de OSs.

5. Programas específicos e assistência farmacêutica

Sobre programas específicos para a área, cada plano traz iniciativas voltadas a áreas sensíveis como saúde mental, oncologia, saúde materno-infantil e distribuição de medicamentos.

Daniel planeja fortalecer a “Rede Nascer” (atenção materno-infantil) com suporte comunitário das “Madrinhas da Rede Nascer”.

Na oncologia, destaca a consolidação do CORA para tratamento infantil e propõe o aperfeiçoamento da Rede Estadual de Combate ao Câncer com foco no diagnóstico precoce e navegação integrada do paciente.

Marconi sugere a criação da “Sala Zilda Arns” para monitoramento da atenção materno-infantil. Na saúde mental, planeja implantar o “Hospital Estadual de Neurodesenvolvimento e Saúde Mental Infantojuvenil”.

Na assistência farmacêutica, o tucano quer retomar o programa “Remédios em Casa” para entrega domiciliar de medicamentos de uso contínuo e de alto custo. Também propõe a retomada do Grupo Especial de Enfrentamento às Drogas (GEED).

Wilder apresenta o programa “Remédio em Casa” para entrega voluntária e segura de medicamentos de uso contínuo para idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.

Para o autismo, cita a criação de um protocolo único de triagem e cuidado com retaguarda do CRER. Na saúde mental, propõe reforçar a rede regional em parceria com os municípios (CAPS, escolas e assistência social).

Por outro lado, Luis Cesar quer a retomada plena da produção industrial da Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego), laboratório farmacêutico público estadual.

O plano prevê a fabricação de medicamentos essenciais e genéricos da lista do SUS (Rename), a modernização industrial com certificação da Anvisa e a expansão da produção de fitoterápicos e Cannabis medicinal, visando abastecer a rede pública e reduzir custos de aquisição do Estado.

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Ícaro Gonçalves

Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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