Segurança pública em Goiás: o que propõem os candidatos ao governo estadual para o ciclo 2027-2030
Reportagem analisou os planos de governo dos quatro candidatos melhores posicionados na pesquisa de intenção de votos Paraná Pesquisas/Portal 6, divulgada na terça-feira (18)

A segurança pública é um dos temas centrais nos planos de governo dos candidatos ao Governo de Goiás para o período de 2027 a 2030.
Nas propostas, protocoladas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Daniel Vilela (MDB), Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) apresentam diagnósticos que reconhecem os avanços do estado no setor, mas apontam para a necessidade de modernização diante de novas modalidades criminosas, como as fraudes digitais e o crime organizado.
O Portal 6 analisou os planos de governo dos quatro candidatos melhores posicionados na pesquisa de intenção de votos Paraná Pesquisas/Portal 6, divulgada na terça-feira (18).
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A pesquisa ouviu 1.240 eleitores entre os dias 14 e 17 de agosto, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número GO-01791/2026.
Valorização profissional e recomposição de efetivo
A gestão dos recursos humanos das forças de segurança, incluindo as polícias militar, civil, penal, científica e o Corpo de Bombeiros, é tratada com diferentes focos no planejamento dos candidatos.
Na proposta do governador e candidato à reeleição Daniel Vilela, o foco está na “interiorização e capilaridade” das forças de segurança, propondo a expansão da estrutura operacional, da perícia oficial e dos serviços aeromédicos para todas as regiões do estado, visando reduzir as desigualdades regionais no atendimento.
Contra golpes eletrônicos e crimes cibernéticos, Daniel propõe implantar o Programa Escudo Digital Goiás, que deve fortalecer a prevenção, a investigação e a repressão aos delitos.
A iniciativa ampliará a capacidade da Polícia Civil e da Polícia Científica em perícia digital e inteligência cibernética, as delegacias especializadas e vai utilizar tecnologia para identificar organizações criminosas, rastrear ativos e acelerar a investigação de fraudes eletrônicas.
Já no plano de governo de Marconi Perillo, o tucano assume o compromisso de promover concursos públicos para recompor e ampliar os efetivos, com foco em municípios que hoje não possuem policiamento permanente e nas regiões de divisa.
Na carreira, Marconi propõe revisar critérios de promoção para torná-los mais previsíveis, além de adotar uma política permanente de valorização remuneratória.
Wilder Morais também sugere um calendário de concursos e reposição contínua de aposentadorias revisado anualmente, conforme a disponibilidade financeira.
O senador ainda propõe promoções com critérios claros e datas cumpridas, premiação por metas de redução de crime por território (valorizando equipes, e não indivíduos), assistência jurídica institucional para atos em serviço e uma mesa permanente de negociação com as entidades de classe.
Candidato pelo PT, Luis Cesar Bueno sugere uma recomposição de efetivos e infraestrutura baseada estritamente em estudos técnicos por região e especialidade, com a publicação prévia do impacto fiscal.
Apresenta também um programa de saúde física e mental, apoio pós-ocorrência crítica e prevenção ao suicídio.
Tecnologia, inteligência e combate aos crimes digitais
O avanço dos golpes eletrônicos e crimes cibernéticos gerou propostas específicas de todos os candidatos, que querem descentralizar a investigação digital e aplicar novas ferramentas tecnológicas.
Daniel Vilela destaca o programa “Escudo Digital Goiás” para fortalecer a perícia digital e a inteligência cibernética da Polícia Civil e Científica, integrando ações ao programa “Cidadão 60+” para orientar idosos sobre o uso seguro de serviços bancários e compras por meio de aplicativos e plataformas digitais.
No combate geral ao crime, propõe a expansão do videomonitoramento inteligente com Inteligência Artificial (IA) para reconhecimento de padrões e localização de foragidos.
Já Marconi Perillo defende a modernização da Polícia Civil e Científica com foco no tratamento de evidências físicas e digitais.
O objetivo seria incrementar as tecnologias da Segurança Pública para dar agilidade aos laudos periciais e fortalecer a qualidade técnica das provas, além de estruturar as forças para prevenir e investigar fraudes digitais que afetam cidadãos e empresas.
Wilder Morais apresenta o projeto “Goiás sem Golpe Digital”, com a criação de um canal unificado de atendimento, publicação de tempos de triagem e valores recuperados, além de propor Laboratórios Regionais contra Crimes Digitais para descentralizar os equipamentos da capital.
Sugere a integração de câmeras urbanas e leitores de placas em corredores viários com regras rígidas de descarte de dados, e proteção específica contra deepfakes e perseguição digital.
A prioridade seria para as entradas de cidades, rotas de fuga, divisas e áreas de maior risco, com emissão constante de alertas, veículos recuperados e ocorrências esclarecidas.
Por fim, Luis Cesar Bueno propõe o fortalecimento da Delegacia de Crimes Cibernéticos com a criação de capacidade investigativa regional e campanhas contra golpes.
Sobre o uso de IA e análise de dados, o plano petista condiciona a aplicação à governança, auditoria e proteção de dados.
Apresenta também a implantação gradual de câmeras corporais nas fardas, iniciando com um projeto-piloto de 12 meses regulado pela Norma Técnica SENASP nº 014/2024.
Segurança rural e combate à criminalidade urbana
A divisão de estratégias entre os grandes centros urbanos, as divisas estaduais e as zonas rurais de Goiás também é detalhada nos planos por meio de programas de patrulhamento e monitoramento de divisas.
O governador Daniel Vilela direciona a estratégia urbana para a integração de forças e uso de tecnologia de monitoramento para antecipar riscos.
A capilarização das forças visa garantir que o padrão de policiamento especializado chegue de forma equivalente ao interior e às áreas de expansão econômica.
Marconi Perillo propõe o fortalecimento do Comando de Operações de Divisas (COD) para atuar nas entradas e saídas do estado contra o tráfico de armas e drogas.
No meio rural, foca no policiamento especializado georreferenciado para proteger rebanhos e maquinários. Para as Regiões Metropolitanas, defende ações compatíveis com o fluxo urbano para impedir o avanço territorial de facções.
Do mesmo modo, Wilder Morais defende operações permanentes nas rotas de entrada e saída do estado, com leitura de placas e análise de risco em substituição aos bloqueios aleatórios.
Propõe dar cobertura regionalizada à Patrulha Maria da Penha e à segurança rural, estabelecendo prazos para a primeira providência policial. Sugere também o plantão regional noturno e de fim de semana combinando presença física e delegacia digital.
Já Luis Cesar Bueno apresenta o programa “Segurança Rural”, também com ampliação do patrulhamento georreferenciado, mapeamento de vazios de cobertura e protocolos contra roubo de insumos e máquinas.
Para as rodovias e ferrovias, apresenta o programa “Corredores Seguros”, integrando as polícias estaduais à Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Na estratégia territorial, divide o estado em regiões (como Metropolitana, Entorno do DF, Sudoeste, etc.), atribuindo riscos e respostas governamentais específicas para cada uma.
Prevenção social e proteção a grupos vulneráveis
As propostas também abordam a articulação entre a segurança pública e as políticas de assistência social, educação e direitos humanos, com diferentes desenhos institucionais.
Daniel Vilela apresenta o “SIM Mulher” para integrar proteção, canais de denúncia e acolhimento especializado, associando-o ao programa “Goiás por Elas” para oferecer autonomia financeira, emprego e crédito às vítimas.
Para os jovens, propõe o “Juventude Protegida”, articulando segurança, esporte, cultura e qualificação profissional em territórios vulneráveis.
O ex-governador Marconi Perillo defende a ampliação da cobertura das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) e a articulação da segurança com as redes de saúde e assistência social para identificar riscos de violência doméstica desde os primeiros sinais.
Propõe também o acompanhamento contínuo de casos de descumprimento de medidas protetivas para evitar o agravamento de riscos.
O senador Wilder Morais também propõe a integração de medidas protetivas, acolhimento, aluguel social e autonomia econômica em um único acompanhamento, evitando que a mulher tenha que repetir o relato da violência em múltiplos órgãos.
Para o ambiente escolar, propõe um protocolo de prevenção a ameaças, drogas e bullying, atuando em conjunto com a saúde mental e as famílias, além de um sistema de busca imediata de pessoas desaparecidas, sem necessidade de espera para o início do registro.
Já Luis Cesar Bueno propõe acelerar o Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher 2026-2035, integrando registro, avaliação de risco, saúde e assistência social.
No âmbito social, apresenta o programa “Bairro Seguro, Escola Protegida e Juventude”, que combina policiamento comunitário, urbanismo, mediação de conflitos e protocolos de segurança escolar.
Destaques por candidato
Entre os maiores destaques das propostas do governador Daniel Vilela (MDB), está a modernização tecnológica da segurança pública de Goiás por meio de Inteligência Artificial aplicada ao videomonitoramento, a interiorização das forças especializadas e a criação de redes integradas de proteção à mulher (SIM Mulher) e combate a golpes digitais (Escudo Digital).
Marconi Perillo centraliza as propostas na recomposição do efetivo policial por meio de concursos públicos para garantir presença física em todos os municípios, no fortalecimento das divisas (COD), na valorização salarial das carreiras e na reestruturação da Polícia Civil e Científica.
Wilder Morais destaca a proposição de metas de gestão privada aplicadas ao setor público, como premiação financeira por resultados territoriais, prazos públicos para entrega de perícias, descentralização da investigação digital por laboratórios regionais e plantões policiais híbridos (físicos e digitais).
Por fim, Luis Cesar Bueno pauta o plano para o setor em um modelo de gestão por resultados com metas auditadas nos primeiros 100 dias, planejamento territorializado, e implantação gradual de câmeras corporais sob rígidos protocolos técnicos.
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