Conheça a história da casa centenária que pode se tornar Palácio da Música em Goiás
Família que morou no imóvel teve influência importante na Constituição, educação superior e na cultura goiana desde o início do século XX

Considerada a cidade mais antiga do estado com quase 300 anos, é certo dizer que a Cidade de Goiás acumula muitas histórias. Entre as ruas de pedra, as janelas pintadas e as subidas e descidas irregulares das ruas, viveram pessoas e famílias que influenciaram o estado e o país.
Entre as mais influentes da época, estava a família Bulhões – composta por nomes relevantes na política, imprensa e cultura da região, além da educação de ensino superior.
Não à toa, a casa onde moravam pode ser transformada em um Palácio da Música. A proposta, que ainda não avançou, preservaria a relevância histórica, arquitetônica e cultural do casarão.
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O imóvel está localizado na Praça Brasil Caiado – conhecida como Praça do Chafariz – próximo a um dos principais pontos turísticos do município e bem no Centro Histórico da cidade.
Por determinação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o espaço está inserido como Patrimônio Mundial, motivo pelo qual são proibidas mudanças na fachada.
Legados diferentes
Um dos principais nomes que moraram na casa que pode se tornar o Palácio da Música é Leopoldo de Bulhões – que atualmente nomeia o município de quase 9 mil habitantes localizado a cerca de 60 quilômetros de Goiânia.
Leopoldo de Bulhões foi jurista, advogado, jornalista, político e financista, e acumulou influência tanto na política de Goiás quanto do Brasil. Tornou-se cada vez mais relevante nas discussões nacionais entre o fim do século XIX e início do século XX.
Como deputado geral em 1882, Leopoldo defendeu o fim da escravidão antes mesmo do desenvolvimento da Lei Áurea, que decretou a abolição. Ainda era a favor da liberdade de culto religioso e da instituição do casamento civil (conquistadas em 1890).
O goiano também foi deputado da Constituinte, em 1891. Atuou pela reestruturação do Banco do Brasil, foi diretor da instituição, senador duas vezes e Ministro da Fazenda entre 1902 e 1906.
O irmão dele, Antônio Felix de Bulhões Jardim, deixou um legado na imprensa. Foi jurista, poeta, abolicionista e fundador de jornais como “Monitor Goiano” e “Goiás”.
As irmãs seguiram caminhos igualmente importantes. Josephina, Ângela, Maria Nazaré, Adelaide e Leonor estudavam partituras europeias, regiam coros de igrejas e ensinavam instrumentos.
Ângela Bulhões Natal destacou-se como pianista e chegou a se apresentar em um prestigiado local em Buenos Aires, na Argentina: o Teatro Colón.
A filha dela, Eurydice Natal e Silva, também foi pianista, fundou e presidiu a primeira Academia de Letras de Goiás, em 1904.
Para quem é de Goiânia, o sobrenome pode soar familiar: Colemar Natal e Silva, filho de Eurydice, até hoje dá nome a um campus da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ele foi fundador da instituição, do Instituto Histórico Geográfico de Goiás (IHGG) e da Academia Goiana de Letras.
Casa à venda
A casa na Praça do Chafariz foi colocada à venda em março deste ano, pelo valor de R$ 890 mil. Já não pertencia mais à família dos Bulhões, mas a Emylia Marya.
O imóvel tinha sido adquirido pelo pai dela, Alberto Emos, que é considerado o primeiro taxista da Cidade de Goiás.
Sem interesse de continuar na cidade, aos 63 anos, Emylia resolveu desfazer-se da residência. Contudo, não há informações sobre qual foi o destino do casarão.
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