Qualificação que transforma: novos caminhos para as mulheres de Anápolis

História de Julliana nos lembra de algo que precisamos compreender: sair de uma relação de violência é apenas o começo de uma longa caminhada

Andreia Rezende Andreia Rezende -
Vereadora de Anápolis, Andreia Rezende
Vereadora Andreia Rezende (Foto: Reprodução)

Durante muitos anos, quem acompanhava a cena cultural de Anápolis conhecia a voz de Julliana de Freitas Pinheiro. Cantora e produtora cultural, ela construiu seu espaço e fez da música parte de sua identidade. Até que, aos poucos, aquela voz se afastou dos palcos.

Julliana viveu por quase uma década um relacionamento, teve dois filhos e praticamente desapareceu da cena musical onde antes era tão presente. Hoje, aos 38 anos, começa a voltar. E subir novamente ao palco é também um exercício de coragem.

Segundo seus relatos e registros policiais, foram anos marcados por diferentes formas de violência: psicológica, física, sexual e patrimonial, além de controle e tentativas de restringir sua liberdade. Há cerca de quatro meses, Julliana deixou a casa onde vivia com o ex-companheiro. Amparada pela família e com acompanhamento psicológico, tenta reconstruir não apenas sua carreira, mas a própria vida.

A história de Julliana nos lembra de algo que precisamos compreender: para muitas mulheres, conseguir sair de uma relação de violência é apenas o começo de uma longa caminhada. Depois da coragem de partir, vem o desafio de recomeçar. Recuperar a autoestima, cuidar dos filhos, voltar ao mercado de trabalho e conquistar independência financeira.

É justamente nesse recomeço que o poder público precisa estar presente.

Por acreditar nisso, articulei uma emenda parlamentar de R$ 100 mil para garantir cursos gratuitos de qualificação profissional a 100 mulheres de Anápolis. As formações são realizadas nos Centros de Formação Profissional (Cenfor) da Prefeitura de Anápolis, nas unidades dos bairros Recanto do Sol, Munir Calixto e Tesouro em parceria com o Senac, referência em formação profissional.

São cursos em áreas como corte masculino e design de barba, sobrancelhas, alongamento de cílios e unhas. As participantes também recebem vale-transporte e vale-alimentação, porque oferecer uma oportunidade significa também criar condições para que elas consigam aproveitá-la.

Um curso pode parecer pouco diante da complexidade da violência contra a mulher. Mas, para quem precisa reconstruir a própria vida, aprender uma profissão pode significar renda. Renda pode significar independência. E independência pode significar liberdade para escolher um novo caminho.

Que Julliana continue cantando e recuperando os espaços que sempre foram seus. E que cada mulher que precise recomeçar encontre uma cidade preparada não apenas para acolhê-la, mas para ajudá-la a recuperar sua autonomia, seus sonhos e, sobretudo, a própria voz.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Andreia Rezende

Andreia Rezende

Advogada e vereadora. Atualmente preside a Câmara Municipal de Anápolis. Siga-a no Instagram @andreiavereadora_/

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.