Sonegação e lavagem de dinheiro: empresários de Goiânia são presos após fraude fiscal de R$ 743,5 milhões

Grupo usava "laranjas" para criar novas empresas no varejo e atacado de doces, artigos para festas e tecidos

Natália Sezil Natália Sezil -
Empresários foram presos por sonegar mais de R$ 743,5 milhões em Goiânia e Mossâmedes.
Empresários foram presos por sonegar mais de R$ 743,5 milhões em Goiânia e Mossâmedes. (Foto: Divulgação/MPGO)

Três empresários foram presos na manhã desta quinta-feira (17) após sonegar R$ 743,5 milhões em impostos, em Goiânia e Mossâmedes, a 150 km da capital.

A Operação Panda Reverso, força-tarefa conduzida pelo Grupo Operacional do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira), apurou que o grupo empresarial em questão existe há cerca de 20 anos.

Atuavam no ramo de atacado e varejo de doces, artigos para festas e tecidos. Os crimes aconteciam entre 17 endereços nas duas cidades. Além das três prisões preventivas, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão.

Segundo apurado na operação, os suspeitos conseguiram estruturar uma complexa rede de holdings e sociedades de participação para mascarar os crimes e ocultar o patrimônio gerado.

Eles deixavam de declarar vendas e saídas de mercadorias tributadas. Em alguns casos, chegavam a omitir 100% do faturamento.

Quando a dívida se tornava impagável, abandonavam o CNPJ e criavam uma empresa “limpa” no mesmo endereço, que recebia o fundo de comércio, clientes, estoques e funcionários.

Além disso, registravam CNPJs em endereços onde nada funcionava e em nomes de parentes próximos, que atuavam como “laranjas”.

Os crimes incluíam sonegação de impostos, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato contra a administração pública.

As empresas ainda acumulavam 197 autos de infração, 93 representações fiscais para fins penais e pelo menos 15 denúncias criminais anteriores. Os empresários presos seriam os líderes do esquema.

Para conter o prejuízo, as autoridades fizeram penhora judicial “na boca-do-caixa”, para arrecadar os valores mantidos nos estabelecimentos, e congelaram diversos bens, entre eles veículos, imóveis, contas bancárias dos investigados e das companhias. O valor somou R$ 339,9 milhões.

A força-tarefa contou com apoio do Ministério Público de Goiás (MPGO), Secretaria da Economia, Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Polícia Civil (PC) e Batalhão Fazendário da Polícia Militar (BPMFaz).

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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