Cineasta goiano revela bastidores de ‘Exterminadora’ e os desafios de fazer cinema fora do eixo Rio-São Paulo

Em conversa com o Portal 6 Ao Vivo, Jarlé Barbosa detalhou a trajetória de uma obra que começou como TCC e levou 13 anos até chegar às gravações

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Cineasta goiano revela bastidores de ‘Exterminadora’ e os desafios de fazer cinema fora do eixo Rio-São Paulo
Diretor, roteirista e produtor, Jarlé Barbosa, explicou as dificuldades para reunir equipes, captar recursos e levar produções independentes ao público. (Foto: Captura de tela/Youtube/Portal 6)

Uma ideia criada há cerca de 13 anos durante uma pós-graduação em roteiro em São Paulo deixou o papel para ganhar as telas.

No Portal 6 Ao Vivo, desta sexta-feira (18), o diretor, roteirista e produtor Jarlé Barbosa contou como o projeto que deu origem a “Exterminadora” foi desenvolvido ao longo dos anos até chegar às gravações.

A produção é fruto de um processo longo. Segundo Jarlé, o projeto nunca ficou simplesmente guardado, mas passou por diferentes etapas enquanto ele buscava recursos para viabilizá-lo.

“Não é um projeto que estava guardado esperando, ele estava sendo mexido constantemente”, explicou.

A ideia inicial surgiu como uma série chamada “Exterminadora”, escrita por Jarlé durante a pós-graduação. A história acompanhava uma mulher que matava os próprios ex-namorados. Com o passar do tempo, porém, a proposta foi modificada e acabou transformada em um longa-metragem.

Na versão atual, a trama acompanha um casal recém-separado que é dono de um teatro no Centro de Goiânia. Os dois fazem parte de uma companhia teatral chamada Teatro de Dois e ensaiam uma peça também chamada “Exterminadora”, sobre uma mulher que mata os antigos companheiros.

Dentro da história, a peça carrega ainda uma espécie de lenda. Ela teria sido apresentada em Goiânia apenas uma vez, na década de 1970, e o diretor teria sido assassinado pela própria namorada na semana de estreia.

Cinema feito em Goiás

Durante a entrevista, Jarlé também falou sobre os desafios de produzir audiovisual fora do eixo Rio-São Paulo.

Para ele, um dos problemas é a descontinuidade de políticas públicas voltadas ao setor. O diretor explicou que, quando os investimentos diminuem, profissionais migram para outras áreas ou regiões e, quando há uma retomada, é necessário novamente formar mão de obra.

Jarlé citou a própria experiência recente. Segundo ele, montar a equipe de “Exterminadora” foi difícil porque muitos profissionais estavam envolvidos em outros projetos e outros haviam sido absorvidos por campanhas políticas.

Ele também destacou a existência de cursos de formação no estado, como os mantidos pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e pelo Instituto Federal de Goiás (IFG).

Desafios

Para o diretor, concluir uma obra não encerra o processo. A distribuição é outro dos grandes obstáculos enfrentados pelos produtores brasileiros.

“Chegar no público é mais difícil”, afirmou.

Jarlé explicou que produções brasileiras disputam espaço com obras estrangeiras que contam com orçamentos muito maiores, inclusive para divulgação. Segundo ele, essa diferença influencia diretamente a permanência dos filmes nas salas de exibição.

Ele também mencionou o sistema de programação dos cinemas e afirmou que produções nacionais podem acabar recebendo horários menos favoráveis ao público.

Mudanças provocadas no audiovisual

Outro assunto discutido foi a influência do consumo de vídeos curtos sobre a linguagem audiovisual.

Jarlé contou que já existem produções pensadas desde a gravação para posteriormente serem adaptadas ao formato vertical, usado principalmente em celulares.

Para ele, essa mudança representa uma nova relação com a imagem e com o tempo de atenção, embora ainda não seja possível afirmar que isso necessariamente signifique um empobrecimento da linguagem cinematográfica.

Quando “Exterminadora” será lançado?

As gravações do longa foram concluídas após cerca de 20 dias de trabalho, segundo Jarlé. Agora, a produção entra em uma nova etapa: a finalização e a busca por recursos para distribuição.

A expectativa do diretor é que “Exterminadora” seja lançado em algum momento de 2027, podendo chegar ao público no primeiro ou no segundo semestre.

O caminho previsto é começar por festivais, depois passar pelos cinemas e, posteriormente, chegar a outras mídias, como televisão e streaming.

A entrevista completa está disponível no Portal 6 Ao Vivo, programa exibido de segunda a sexta-feira, às 18h30, no canal oficial do Portal 6 no YouTube.

Confira a entrevista na íntegra: 

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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