“Nunca é tarde demais”: aos 62 anos, mulher deixa a cidade e vai morar sozinha em uma cabana de madeira em comunidade com apenas 200 moradores e inspira outras mulheres a viverem isso

Após décadas de trabalho em Buenos Aires, Vivi escolheu uma ecoaldeia nas montanhas para viver uma nova etapa cercada pela natureza

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
“Nunca é tarde demais”: aos 62 anos, mulher deixa a cidade e vai morar sozinha em uma cabana de madeira em comunidade com apenas 200 moradores e inspira outras mulheres a viverem isso
Vivi, de 62 anos, em sua cabana nas montanhas (Imagem: Reprodução/Sueños de ruta)

Depois de anos dividindo a rotina entre trabalho, compromissos e a correria da cidade grande, muitas pessoas imaginam a aposentadoria como um período de descanso. Para uma argentina, porém, o fim da carreira representou o início de um projeto que vinha sendo planejado há muito tempo.

Aos 62 anos, Viviana, conhecida como Vivi, decidiu deixar Buenos Aires e mudar seu estilo de vida. A técnica em hemoterapia, que trabalhou no Hospital Pirovano, dava aulas sobre sua profissão e também atuava na Cruz Vermelha, escolheu trocar a cidade por uma cabana de madeira em uma comunidade nas montanhas de Córdoba.

“Eu sabia que tinha que ter um projeto para depois”, contou Vivi em uma reportagem do canal de viagens e estilo de vida Sueños de Ruta, ao relembrar o período em que começou a imaginar a nova fase.

A mudança levou tempo e não aconteceu de forma impulsiva. Antes de se instalar definitivamente, ela passou cerca de dois anos conhecendo a rotina do local, inicialmente em um trailer, acompanhada pela filha, enquanto alternava períodos entre a ecoaldeia e Buenos Aires.

Uma nova vida em uma comunidade com 200 moradores

O destino escolhido foi Umepay, uma ecoaldeia localizada na região de Villa Yacanto de Calamuchita, nas serras de Córdoba, na Argentina. Criada em 2011 por um grupo de amigos, a comunidade cresceu ao longo dos anos e hoje reúne aproximadamente 200 moradores espalhados por uma área de quase 400 hectares.

O local tem como proposta uma convivência mais integrada ao meio ambiente, com práticas voltadas à sustentabilidade, preservação da natureza e uso consciente dos recursos.

Foi nesse cenário, cercado por bosques, rios e montanhas, que Vivi decidiu construir uma nova rotina. Ela comprou um terreno com recursos que havia guardado e, com a ajuda de um empréstimo, adquiriu uma casa pré-fabricada de madeira que adaptou conforme suas necessidades.

A estrutura recebeu mudanças internas, como divisórias, paredes de gesso e outros detalhes para deixar o espaço mais confortável. A escolha pela construção de madeira também esteve relacionada ao custo e à rapidez do processo.

Dentro da casa, Vivi criou um ambiente acolhedor, com móveis, plantas e objetos que refletem sua personalidade. O imóvel também foi preparado para receber os três filhos quando eles quiserem passar alguns dias com ela.

Sustentabilidade faz parte da rotina

A vida em Umepay envolve uma série de práticas diferentes daquelas comuns nas grandes cidades. Os moradores seguem regras para preservar o ambiente natural, como evitar espécies de plantas invasoras, reduzir impactos no solo e utilizar alternativas sustentáveis para o funcionamento das casas.

Entre as iniciativas estão o uso de biodigestores para tratamento de águas residuais, energia fotovoltaica por meio de painéis solares, compostagem, reciclagem e reaproveitamento de materiais.

A comunidade também incentiva a chamada bioconstrução, modelo que busca utilizar técnicas e materiais com menor impacto ambiental.

Para Vivi, a adaptação exigiu aprendizado. A distância dos serviços urbanos, a ausência da antiga rotina e os desafios de viver em uma região mais isolada fizeram parte do processo de mudança.

Mesmo assim, ela afirma que encontrou no campo uma sensação de pertencimento.

Filhos tiveram receio, mas viram a mudança de perto

A decisão de morar sozinha no meio das montanhas inicialmente preocupou os três filhos de Vivi. A ideia de uma mãe vivendo distante da cidade gerou dúvidas sobre segurança e adaptação.

Com o tempo, segundo ela, essa preocupação diminuiu. A família percebeu que a nova rotina fazia bem para ela e que a distância física não significava falta de convivência.

Vivi conta que se sente acompanhada pelos vizinhos, que costumam ajudar uns aos outros em situações do cotidiano. Encontros para tomar chimarrão, conversar ou observar o fim do dia fazem parte da rotina da comunidade.

Ela também mantém atividades profissionais. Atualmente, trabalha com cosmetologia e terapia regenerativa, áreas que consegue desenvolver mesmo vivendo longe dos grandes centros.

“Me pegou a vida no campo, acordar e ver as serras, o monte”, relatou.

Confira a história de Vivi no vídeo abaixo, produzido pelo canal argentino Sueño de Ruta:

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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