Conheça Carol do Amiltinho, eleita a deputada estadual mais votada da história de Goiás com mais de 100 mil votos

Psicóloga de 37 anos recebeu o Portal 6 em casa e, ao lado da família, falou sobre a votação recorde e a ausência do esposo: “é um misto de tristeza e de muita gratidão”

Natália Sezil Natália Sezil -
Carol do Amiltinho foi a deputada estadual mais eleita da história da Assembleia Legislativa de Goiás.
Carol do Amiltinho foi a deputada estadual mais eleita da história da Assembleia Legislativa de Goiás. (Foto: Elvis Godoi/Portal 6)

Carol do Amiltinho (MDB), 37, assumiu uma candidatura que não havia planejado e alcançou a maior votação em números absolutos da história para deputado estadual em Goiás.

Neste domingo (04), seis dias depois de aceitar substituir o esposo, Amilton Filho, ela ultrapassou os 100 mil votos em sua primeira disputa eleitoral.

Às 21h33, com 99,96% das urnas apuradas, Carol somava 108.993 votos, equivalentes a 3% dos votos válidos. A vantagem sobre Fabrício Rosa (PT), segundo colocado com 81.523 votos, era de 27.470 eleitores.

O resultado superou em 35.301 votos o recorde de Bruno Peixoto (UB), que recebeu 73.692 em 2022. Antes dele, a maior votação pertencia a Mané de Oliveira (PSDB), eleito com 62.655 votos em 2014.

Primeira declaração

Minutos após bater a marca de 100 mil votos, Carol recebeu a reportagem do Portal 6 em casa. Estava ao lado de dona Marlene Rezende, mãe de Amilton, e de Andreia Rezende, irmã dele, vereadora e presidente da Câmara Municipal de Anápolis.

Foi junto da família que ela tentou traduzir o significado de uma noite que Amilton havia trabalhado para viver, mas à qual não pôde estar presente. O deputado morreu aos 41 anos, em um acidente na BR-050, próximo a Cristalina, no dia 26 de setembro, quando buscava o terceiro mandato consecutivo.

“Honestamente, eu ainda tô um pouco assustada”, disse Carol. “Ainda tá um pouco bagunçada assim para mim, mas o coração tá transbordando de gratidão.”

Ao falar sobre a votação, ela incluiu o esposo e os familiares na conquista. A candidatura levou seu nome, mas, em seu relato, a força para atravessar aqueles dias foi compartilhada.

“Nós dois juntos temos uma força gigante, não só nós dois, como nossa família toda”, afirmou.

A presença de Marlene e Andreia durante a entrevista acompanhou uma fala em que Carol voltou diversas vezes à família. Tanto para explicar como conseguiu seguir após a perda quanto para falar do trabalho que pretende desenvolver na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

“É um misto de tristeza por ele não estar aqui para ver uma coisa que ele almejou tanto, mas de muita gratidão com todas as pessoas que acreditaram, com todas as pessoas que abraçaram não só o trabalho dele por conhecer, mas que se orgulharam”, declarou.

Uma vida que mudou em poucos dias

Psicóloga de formação e mãe de dois filhos, Carol acompanhava a trajetória pública do marido, mas preferia uma vida discreta. Antes de assumir a candidatura, nunca havia disputado um cargo eletivo.

No perfil publicado pelo Portal 6 antes da votação, ela foi apresentada como alguém que gosta de ler, assistir a séries e passar os domingos com familiares. Evangélica, encontrou na fé uma forma de explicar a decisão de concorrer em meio ao luto.

O anúncio ocorreu em 28 de setembro, dois dias após a morte de Amilton. A proposta de substitui-lo partiu da família. Ao aceitar, Carol contou que ser o deputado estadual mais votado de Goiás era um sonho do esposo.

Na eleição anterior, em 2022, Amilton havia sido reeleito com 46.556 votos. A votação de Carol na parcial das 21h33 já era mais que o dobro daquele resultado.

Anápolis, principal base eleitoral do deputado, respondeu por mais da metade dos votos recebidos por ela. Com a apuração concluída no município, Carol somou 61.717 votos, equivalentes a 30,19% dos votos válidos para estadual.

Na cidade, terminou à frente de Antonio Gomide (PT), com 25.107 votos, e Graciele da Arte Trigo (Agir), com 17.841. Fora de Anápolis, outros municípios goianos haviam destinado 47.276 votos à candidatura até aquele horário.

Para Carol, o apoio recebido nos últimos dias revelou uma dimensão do carinho pelo esposo que ela ainda estava descobrindo. Durante a entrevista, agradeceu tanto às pessoas que já conheciam o trabalho dele quanto àquelas que buscaram conhecer sua história depois da morte.

“Ele não fez nada sozinho. Ele tinha amor pelo que ele fazia. E eu acredito mesmo, eu acredito muito no trabalho dele e tudo que ele fez. E eu creio que vou conseguir continuar o que ele começou.”

A deputada eleita mencionou o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), e a primeira-dama Carla, além de prefeitos de outros municípios, vereadores e lideranças que permaneceram ao lado da família.

“A gente sempre acreditou que a política não se faz sozinho”, disse. Segundo ela, esses aliados estiveram com Amilton e continuaram firmes após a perda, “acreditando naquilo que o Amilton começou”.

A partir de 2027, Carol terá seu primeiro mandato parlamentar. A votação recorde será acompanhada da responsabilidade de representar os eleitores e dar forma ao compromisso de continuidade assumido durante a campanha.

Na entrevista, ela reconheceu que encontrará caminhos que ainda não conhece. Não detalhou projetos para o início do mandato, mas falou sobre esperança e sobre o papel da família nessa nova etapa.

“As expectativas são de esperança. Claro que serão caminhos que eu ainda não sei, mas eu tenho a plena convicção de que, se o Senhor permitiu que estivéssemos até aqui, Ele vai continuar me conduzindo para que eu possa fazer o melhor”, afirmou.

Ao lado da mãe e da irmã de Amilton, Carol encerrou essa perspectiva de futuro com a mesma ideia que atravessou a conversa: honrar o esposo será uma tarefa que pretende dividir com a família.

“Para que o nome dele seja honrado através daquilo que o Amilton começou e o que nós vamos continuar juntos enquanto família.”

 

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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