Entenda por que, mesmo sendo a 7ª mais votada com 123.311 votos, Aava Santiago não conseguiu se eleger deputada por Goiás
Vereadora superou a votação de 11 candidatos eleitos, mas o PSB ficou abaixo do mínimo necessário para disputar a primeira distribuição das sobras

A vereadora Aava Santiago, do PSB, terminou a disputa pela Câmara dos Deputados como a sétima candidata mais votada de Goiás, com 123.311 votos. Apesar do resultado, equivalente a 3,42% dos votos válidos, ela não conquistou uma das 17 vagas destinadas ao estado.
A explicação está no sistema proporcional. Na eleição para deputado federal, a votação individual define a posição do candidato dentro de seu partido ou federação. Já a quantidade de cadeiras depende também da soma dos votos recebidos pelo grupo.
Assim, as vagas não ficam automaticamente com os 17 candidatos mais votados de Goiás. Primeiro, a Justiça Eleitoral calcula quantas cadeiras cada partido ou federação pode ocupar.
O que aconteceu com o PSB
O quociente eleitoral divulgado para a disputa federal em Goiás foi de 212.220 votos. Esse número serve como referência para a distribuição inicial das vagas e resulta da divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras disponíveis.
O PSB somou 160.038 votos, considerando os recebidos por seus candidatos e os dados diretamente à legenda. Esse total corresponde a aproximadamente 75,41% do quociente e não foi suficiente para garantir uma cadeira na distribuição inicial.
Ainda havia a possibilidade de conquistar uma vaga pelas chamadas sobras eleitorais. Porém, na primeira distribuição dessas cadeiras, o partido precisa alcançar pelo menos 80% do quociente, além de ter um candidato com votação individual equivalente a pelo menos 20% desse valor.
Em Goiás, o piso partidário era de 169.776 votos. Portanto, faltaram 9.738 votos ao PSB para alcançar essa exigência.
Aava ultrapassou com folga o requisito individual. O obstáculo foi a votação total do partido, que ficou abaixo do mínimo para participar dessa etapa.
Por que candidatos com menos votos foram eleitos?
Aava recebeu mais votos do que 11 dos 17 candidatos eleitos. Um exemplo é Fábio Sousa, do PL, que conquistou uma cadeira com 43.643 votos.
Isso ocorre porque candidatos de partidos diferentes disputam vagas dentro de grupos com desempenhos eleitorais distintos. Uma legenda com maior votação total pode conquistar mais cadeiras e eleger candidatos que receberam menos votos individualmente.
As sobras também são distribuídas por médias calculadas a partir da votação dos partidos ou federações e das cadeiras que já conquistaram. A posição no ranking geral de candidatos não determina essa distribuição.
Existe uma etapa aberta a todos os partidos?
Sim. Caso ainda sobrem vagas depois de esgotadas as possibilidades entre os grupos que cumprem os requisitos de 80% e 20%, a legislação permite uma distribuição entre todos os partidos e federações, pelo critério das maiores médias.
Essa possibilidade, porém, depende de ainda haver cadeiras disponíveis. O resultado divulgado para Goiás apresenta as 17 vagas preenchidas, sendo 11 pelo quociente partidário e seis por média, sem representação do PSB.
Com isso, a votação expressiva de Aava garantiu o sétimo lugar no estado, mas não se transformou em uma cadeira para seu partido na Câmara dos Deputados.
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