Irmãos Batista levam a JBS para novo mercado de US$ 101 bilhões e apostam em proteína usada até em cerveja e requeijão
Companhia amplia atuação para além das carnes e cria estrutura capaz de acompanhar outras empresas desde a formulação até a chegada às prateleiras

Conhecida mundialmente pela presença no mercado de carnes, a JBS está avançando sobre uma área que coloca proteína em produtos bem diferentes dos tradicionais cortes encontrados nos supermercados.
A companhia controlada pela família Batista criou a Genu-in Solutions, nova frente de negócios que pretende ajudar outras empresas a desenvolver alimentos e bebidas enriquecidos com proteína.
A iniciativa mira um segmento global que deve movimentar US$ 101,62 bilhões até 2030 e inclui aplicações que vão de snacks e bebidas prontas até requeijão e cerveja sem álcool.
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Negócio vai além de vender ingredientes
A Genu-in Solutions nasceu dentro da Genu-in, empresa da JBS Novos Negócios especializada em peptídeos de colágeno e gelatina.
Até então, parte da atuação estava concentrada no fornecimento desses ingredientes e no suporte técnico para incorporá-los aos produtos.
Agora, a proposta é participar praticamente de todo o processo.
A estrutura poderá trabalhar desde a criação da formulação até avaliações regulatórias, testes de estabilidade, produção, logística e etapas necessárias para preparar o produto para o mercado.
Os serviços serão destinados principalmente a outras empresas, no modelo B2B.
Proteína já foi parar até na cerveja
A variedade de aplicações ajuda a mostrar o tamanho da aposta.
Nos últimos anos, a Genu-in participou de projetos envolvendo suplementos, iogurtes, requeijão, barras, snacks, refeições prontas, águas proteicas e até cervejas sem álcool.
Isso não significa simplesmente despejar proteína em uma receita convencional.
Cada alimento apresenta desafios diferentes de textura, sabor, solubilidade, aparência e estabilidade durante o armazenamento.
Em uma bebida, por exemplo, o ingrediente precisa permanecer integrado ao líquido sem comprometer características esperadas pelo consumidor.
Snack tem 44% de proteína
Um dos projetos apresentados pela empresa é um snack proteico do tipo puff.
O produto levou cerca de 18 meses para ser desenvolvido e possui 44% de proteína.
Segundo a JBS, a formulação já concluiu etapas regulatórias e testes de estabilidade e está pronta para avançar ao varejo.
A empresa também trabalha em alternativas como gomas com colágeno e bebidas prontas para consumo.
Pesquisa acontece em parceria com instituto
Parte do desenvolvimento tecnológico ocorre em Campinas (SP).
A JBS mantém, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), um Centro de Inovação e Desenvolvimento de Colágeno.
No local, pesquisadores conseguem testar como proteínas se comportam em produtos como lácteos, bebidas, chocolates, panificados, balas, carnes e snacks antes de levar as formulações para produção em grande escala.
Mercado pode chegar a US$ 101 bilhões
A estratégia acompanha uma mudança maior na indústria alimentícia.
Segundo projeção da Grand View Research, o mercado mundial de alimentos fortificados com proteína deve atingir US$ 101,62 bilhões em 2030, com crescimento médio anual de 6,2% entre 2024 e 2030.
A categoria deixou de ficar concentrada em suplementos esportivos e ganhou espaço em alimentos consumidos ao longo de todo o dia.
Para a JBS, isso abre uma nova possibilidade de negócios: em vez de fornecer apenas carnes ou ingredientes, a companhia passa a participar da criação de produtos que outras marcas poderão colocar nas prateleiras.
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