Aos 60 anos, trabalhador decide deixar o emprego na cidade para construir uma casa simples no interior e viver com menos despesas
Depois de décadas de trabalho, trocar o movimento da cidade por uma casa cercada de árvores pode ser o começo de uma vida mais simples e com menos preocupações financeiras

Imagine acordar sem buzinas, preparar um café enquanto observa as árvores pela janela e passar o dia longe do trânsito e da correria. Para muitas pessoas, especialmente depois de décadas trabalhando na cidade, viver no campo parece um sonho distante.
Mas há quem decida transformar esse desejo em realidade justamente quando chega a hora de desacelerar. Uma história recente mostra como abandonar a rotina urbana e apostar em uma construção simples pode representar um recomeço depois dos 60 anos, mesmo com pouco espaço e um orçamento limitado.
Aposentada que deixou Buenos Aires para morar no campo
Uma história semelhante é a de Vivi, uma argentina de 62 anos, que decidiu trocar Buenos Aires por uma comunidade rural nas montanhas de Córdoba, na Argentina.
Depois de trabalhar durante anos como técnica em hemoterapia em um hospital, além de atuar como professora e na Cruz Vermelha, ela começou a planejar uma vida diferente para a aposentadoria.
Seu destino foi Umepay, uma comunidade sustentável próxima a Villa Yacanto, onde vivem aproximadamente 200 pessoas.
Para realizar o sonho, comprou um terreno com dinheiro que havia economizado e recorreu a um empréstimo para adquirir uma casa pré-fabricada de madeira.
O objetivo era ter uma moradia funcional, cercada pela natureza e mais econômica de construir do que uma residência convencional.
Casa simples de madeira ajudou a reduzir os custos da construção
A escolha de Vivi foi uma construção pré-fabricada, que chegou ao terreno para ser montada e posteriormente recebeu adaptações.
O imóvel ganhou divisórias internas, revestimentos e um telhado complementar. A decisão pelo sistema pré-fabricado foi motivada principalmente pela rapidez da obra e pela possibilidade de gastar menos.
A residência fica em uma comunidade que prioriza a preservação ambiental, a utilização de energia solar e o tratamento adequado dos resíduos.
Hoje, ela relata satisfação com a rotina mais tranquila e com a convivência entre os moradores.
Morar no interior pode diminuir despesas mensais?
Uma casa compacta pode exigir menos gastos com limpeza, manutenção e consumo de energia, especialmente quando utiliza equipamentos eficientes.
Cultivar hortaliças também pode complementar a alimentação, embora não elimine as compras no supermercado.
Entretanto, morar no campo não garante automaticamente uma redução nas despesas.
Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE mostram que o transporte representava 20% dos gastos de consumo das famílias rurais, contra 17,9% das urbanas, no levantamento de 2017 e 2018.
Isso reforça a importância de considerar deslocamentos até hospitais, farmácias, mercados e outros serviços.
Planejamento é fundamental antes de abandonar a cidade
Para quem deseja seguir um caminho semelhante, a primeira decisão deve ser financeira.
Antes de pedir demissão ou se aposentar, é importante verificar se haverá renda suficiente para manter alimentação, saúde, transporte e manutenção da propriedade.
A história de Vivi mostra que recomeçar depois dos 60 anos é possível. Mais do que trocar um endereço por outro, sua escolha representa a decisão de reorganizar prioridades e descobrir que uma vida confortável não precisa necessariamente de uma casa grande nem da agitação urbana.
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