Suíço veio trabalhar em fazenda de Goiás e saudade de casa fez nascer uma produção de queijos artesanais

O que começou como tentativa de reencontrar um sabor da terra natal cresceu, envolveu os filhos e colocou receitas europeias no meio do Cerrado

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Stephan Gaehwiler
(Foto: Reprodução/Agência Goiás/ Mafria Antonieta Toledo)

Quando Stephan Gaehwiler deixou a Suíça e veio ao Brasil, em 1982, não estava planejando abrir uma queijaria.

Zootecnista, ele chegou para trabalhar em uma fazenda de gado de corte.

Com o passar dos anos, porém, uma falta começou a pesar: os queijos que faziam parte de sua rotina na terra natal.

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A saudade virou experiência de cozinha e, mais tarde, negócio.

Em 1992, Stephan comprou sua própria propriedade rural e começou a aperfeiçoar técnicas de fabricação. O trabalho daria origem, anos depois, à Queijaria Alpina, em Corumbá de Goiás.

Receitas suíças ganharam sotaque goiano

A produção nasceu inspirada nos métodos tradicionais suíços, mas as receitas foram sendo adaptadas ao ambiente e ao paladar encontrado no Brasil.

O perfil publicado pelo Sebrae registra três produtos principais.

O Cururubá segue o estilo do Brie e passa por aproximadamente 20 dias de maturação. O Alpino é inspirado no Raclette e amadurece por cerca de 60 dias.

Já o Stephan segue a linha do Sbrinz e permanece maturando por aproximadamente 12 meses.

Outro ponto importante está antes mesmo da fabricação: o leite.

A família mantém vacas da raça pardo-suíço e produz na própria propriedade a matéria-prima utilizada nos queijos. Segundo o Sebrae, essa característica ajuda a controlar o padrão da produção.

Com o tempo, os filhos Clara, Nikolaus e Lucas também passaram a participar diretamente do empreendimento.

Negócio entrou na rota gastronômica

A história ultrapassou os limites da fazenda.

A Queijaria Alpina passou a integrar a Rota dos Pireneus, Queijos e Vinhos de Goiás, circuito que reúne produtores de Corumbá de Goiás, Cocalzinho e Pirenópolis.

A própria Clara Gaehwiler assumiu papel importante na articulação do turismo da região e, em 2025, aparecia como presidente da associação responsável pela rota.

Os queijos também acumularam reconhecimento.

Em evento internacional realizado em São Paulo, produtos da família conquistaram premiações, incluindo super ouro para o queijo Stephan e ouro para o Alpino.

O que começou, portanto, como uma tentativa de matar a saudade de um sabor suíço acabou criando uma história com raízes cada vez mais profundas em Goiás.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.