Cidade de Goiás guarda ruínas de antigo povoado que desapareceu após o fim do ouro
Fundado em 1727, antigo arraial conserva vestígios de igreja, casarões e cemitério e recebeu investimento de R$ 1 milhão para preservação histórica

A cerca de 13 quilômetros do centro histórico da Cidade de Goiás, as ruínas do antigo Arraial de Ouro Fino preservam vestígios de um povoado fundado em 1727, durante o início da exploração de ouro no estado.
O local, que chegou a reunir dezenas de construções, perdeu seus moradores ao longo dos anos e atualmente funciona como museu a céu aberto.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o arraial foi fundado por Bartolomeu Bueno da Silva Filho e se desenvolveu com a descoberta de ouro nas proximidades do Rio Uru.
A atividade mineradora atraiu comerciantes, trabalhadores e famílias, impulsionando a construção de moradias e espaços religiosos.
Entretanto, o declínio da mineração contribuiu para o abandono gradual do povoado, que acabou desaparecendo como núcleo habitado.
Igreja e cemitério estão entre os vestígios preservados

Museu a céu aberto do Arraial de Ouro Fino recebeu obras de conservação e estruturas para visitação em 2023. (Foto: Iphan)
Entre as estruturas identificadas estão as ruínas da antiga Igreja de Nossa Senhora do Pilar, construções residenciais e uma lápide do cemitério local.
Os vestígios permitem identificar características da ocupação colonial, incluindo materiais de construção e a disposição de espaços utilizados pelos moradores.
Além disso, o arraial possui uma ligação com a cultura sertaneja brasileira. Conforme o Iphan, Ouro Fino aparece na música Chico Mineiro, eternizada pela dupla Tonico e Tinoco.
O local também integra o contexto histórico da ocupação de Goiás, quando a mineração estimulou a formação de povoados próximos a rios e áreas de extração mineral.
Ruínas receberam investimento de R$ 1 milhão

Estruturas remanescentes da antiga igreja fazem parte do conjunto histórico do Arraial de Ouro Fino. (Foto: Iphan)
Em dezembro de 2023, o Iphan inaugurou a estrutura de visitação do museu a céu aberto, após obras iniciadas no começo daquele ano.
O projeto recebeu R$ 1 milhão e contemplou o escoramento e a consolidação das ruínas, além de intervenções para proteger as estruturas remanescentes.
Entre os serviços realizados estão a impermeabilização de materiais, instalação de calçamento, bancos, cercamento e placas informativas.
A área também recebeu trabalhos de paisagismo, com implantação de aproximadamente 3 mil metros quadrados de grama.
Segundo o Iphan, as intervenções tiveram acompanhamento arqueológico para evitar danos aos vestígios históricos. O projeto contou ainda com a participação da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult).
O espaço foi preparado para receber visitantes e pesquisadores interessados na história da mineração goiana.
Diferentemente de uma reconstrução completa do povoado, o trabalho de preservação manteve as estruturas originais remanescentes, permitindo observar as características arquitetônicas do antigo arraial.
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