Pinturas feitas há cerca de 11 mil anos permanecem preservadas em paredões de cidade goiana

Município reúne mais de 5 mil pinturas e gravuras rupestres que ajudam a revelar como viviam os primeiros habitantes da região

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
pinturas rupestres Serranópolis
(Foto: Reprodução/Weimer Carvalho)

Em uma cidade do interior de Goiás, paredões de pedra guardam desenhos de figuras humanas, animais e símbolos misteriosos que atravessaram milhares de anos. Os registros fazem parte de um dos conjuntos arqueológicos mais importantes do Brasil.

O local fica em Serranópolis, no sudoeste goiano, onde pesquisadores encontraram vestígios de ocupação humana que remontam a aproximadamente 11 mil anos.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a região possui mais de 30 sítios arqueológicos espalhados por áreas de vegetação do Cerrado.

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Além disso, os pesquisadores já identificaram mais de 1.100 pinturas e cerca de 4 mil gravuras nas superfícies rochosas, formando um verdadeiro registro da presença humana na região.

Entre as imagens aparecem representações de pessoas, animais e formas geométricas. Algumas figuras ainda despertam dúvidas sobre o significado que possuíam para seus criadores.

Os desenhos também ajudam a compreender como diferentes populações ocuparam o território muito antes da formação das cidades brasileiras.

De acordo com estudos arqueológicos, os primeiros grupos viviam principalmente da caça e da coleta de alimentos. Entretanto, outras populações chegaram posteriormente e desenvolveram atividades agrícolas e produção de cerâmica.

Durante as escavações, os pesquisadores encontraram ferramentas de pedra, vestígios de fogueiras, fragmentos de cerâmica e restos humanos.

Uma das áreas mais conhecidas é a Gruta das Araras, localizada na reserva Pousada das Araras. O local possui paredões com centenas de imagens e integra os atrativos arqueológicos do município.

Outro detalhe curioso é que algumas pinturas aparecem em pontos elevados das rochas. Por isso, pesquisadores consideram a possibilidade de que seus autores utilizassem estruturas de apoio para alcançar essas superfícies.

Estudos da Universidade Federal de Goiás (UFG) relacionam parte das imagens rupestres a ocupações humanas de aproximadamente 11 mil anos. Entretanto, os pesquisadores ainda não determinaram diretamente a idade exata de todas as pinturas.

Atualmente, algumas áreas recebem visitantes, enquanto outras possuem acesso restrito para preservar os vestígios históricos.

Assim, os paredões de Serranópolis continuam guardando marcas de povos que habitaram Goiás há milhares de anos, revelando uma parte da história brasileira muito anterior à chegada dos colonizadores europeus.

Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.