Estudo da Fieg revela quais setores da indústria de Goiás mais podem ganhar com acordo entre Mercosul e União Europeia
Levantamento identifica oportunidades para a agroindústria e projeta crescimento nas vendas de carnes, açúcar e etanol

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve abrir novas oportunidades para a indústria goiana, especialmente nos setores ligados ao agronegócio.
Entretanto, a redução das barreiras comerciais também poderá aumentar a concorrência de produtos europeus no estado, exigindo adaptações de empresas que já atuam no mercado nacional.
É o que mostra um estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) apresentado nesta quinta-feira (29), durante a 3ª Edição da Expoind, no Centro de Convenções Goiânia.
Segundo o levantamento feito pela Fieg, o acordo poderá gerar US$ 208 milhões anuais em exportações adicionais para Goiás, após a implementação integral das concessões comerciais.
A pesquisa analisou o potencial de crescimento de diferentes atividades industriais, além dos impactos da entrada de mercadorias europeias no mercado brasileiro.
De acordo com Saulo Nogueira, analista de desenvolvimento industrial da Fieg que participou da elaboração do estudo, as maiores oportunidades estão concentradas na agroindústria.
Ao Portal 6, o especialista explicou que determinados produtos goianos poderão ganhar competitividade no mercado europeu com a redução de tarifas e outras barreiras comerciais.
“De acordo com nosso estudo, os principais setores vão ser da agroindústria, principalmente carnes, carne de frango e bovino, açúcar e etanol. Couro também vai ter um grande potencial. Também tem uma série de produtos com um potencial menor, abaixo de US$ 1 milhão de dólares de potencial, mas já é um adicional”, disse.
Segundo pesquisa, seis produtos dos segmentos de carnes, açúcar e etanol concentram aproximadamente 95% do potencial adicional de exportação entre os 40 itens industriais selecionados para análise.
Juntos, eles poderão representar um crescimento anual entre US$ 61,7 milhões e US$ 82,2 milhões nas vendas ao mercado europeu.
Entre os destaques está a carne bovina congelada, cujo potencial adicional de exportação varia entre US$ 34,9 milhões e US$ 46,5 milhões por ano.
A carne bovina fresca ou refrigerada aparece na sequência, com estimativas entre US$ 11,1 milhões e US$ 14,8 milhões, seguida por diferentes produtos derivados de frango.
Novas oportunidades para a indústria goiana
Embora a agroindústria concentre as maiores projeções financeiras, o acordo também poderá beneficiar outros segmentos da economia estadual.
A Fieg identifica oportunidades para produtos químicos, máquinas industriais, componentes automotivos, couro, alimentos processados, plásticos, eletrônicos, vestuário e calçados.
Saulo explica que esses setores apresentam perspectivas de crescimento mais modestas, mas ainda poderão ampliar a participação no comércio internacional.
Segundo ele, a pesquisa considerou principalmente mercadorias que Goiás já comercializa no exterior, deixando espaço para o surgimento de novas oportunidades.
“Tem ingredientes de alimentos, tem milho, produtos químicos específicos, peças para tratores, peças para automóveis e uma série de outras máquinas”, destacou.
O especialista também ressalta que o potencial econômico do acordo não está limitado aos produtos atualmente exportados pelo estado. Isso porque a abertura do mercado europeu poderá estimular empresas goianas a comercializar mercadorias que ainda não possuem presença significativa naquele continente.
“Esse estudo é com base nos produtos que Goiás já exporta, e existem produtos que Goiás tem potencial de exportação, mas que ainda não exporta”, explicou.
Um dos exemplos mencionados pelo analista é o combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, cuja demanda poderá crescer com a busca europeia por alternativas energéticas de menor impacto ambiental.
Embora o estudo não apresente uma projeção financeira específica para esse produto, Saulo considera que o segmento poderá encontrar um mercado promissor.
“Isso aí pode abrir um enorme mercado porque os europeus têm uma consciência muito grande de impacto ambiental e o SAF é um novo tipo de biocombustível que está crescendo”, avaliou.
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