Vendas do Minha Casa, Minha Vida disparam 83% em Goiânia, mas estoque de imóveis cai

Levantamento da Ademi-GO aponta queda de 33,2% nas unidades disponíveis, enquanto o setor cobra agilidade na aprovação de novos empreendimentos

Goiânia registra crescimento nas vendas de imóveis do Minha Casa, Minha Vida, mas redução na quantidade de unidades disponíveis. (Foto: Prefeitura de Goiânia/Joabe Mendonça)
Goiânia registra crescimento nas vendas de imóveis do Minha Casa, Minha Vida, mas redução na quantidade de unidades disponíveis. (Foto: Prefeitura de Goiânia/Joabe Mendonça)

Encontrar um imóvel dentro das condições do Minha Casa, Minha Vida está se tornando um desafio para famílias de Goiânia, mesmo com o crescimento expressivo das vendas e dos lançamentos de empreendimentos habitacionais.

Dados divulgados pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) mostram que 2.944 unidades vinculadas ao programa foram vendidas na capital durante o primeiro semestre deste ano.

O resultado representa um crescimento de 83,4% em relação ao mesmo período de 2025.

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Os lançamentos também avançaram 77,1%, chegando a 2.395 imóveis. Entretanto, a quantidade de unidades disponíveis para comercialização diminuiu 33,2% na comparação com o encerramento do ano passado.

Segundo a Ademi-GO, os imóveis enquadrados no programa representam apenas 17% do estoque imobiliário da capital.

Para Credson Batista, diretor de Pesquisas e Estatísticas da entidade, a redução indica que o mercado não consegue repor os imóveis na mesma velocidade das vendas.

Milhares de famílias ainda precisam de moradia

A dificuldade de acesso à casa própria ocorre em meio a uma demanda habitacional que permanece elevada em Goiás.

Um estudo do Instituto Mauro Borges (IMB), publicado em setembro de 2025, identificou 171.284 famílias em situação de déficit habitacional no estado, com base em dados de 2024.

Desse total, 50.591 estavam na Região Metropolitana de Goiânia. Apesar dos números expressivos, o levantamento apontou redução de 19,3% no déficit estadual em relação a 2023.

No cenário nacional, a Fundação João Pinheiro divulgou, em 10 de junho de 2026, que o Brasil registrava aproximadamente 5,77 milhões de domicílios em déficit habitacional, também considerando dados de 2024.

Os estudos utilizam bases e metodologias diferentes, mas ajudam a dimensionar as dificuldades enfrentadas pelas famílias para conseguir uma moradia adequada.

Setor aponta dificuldades na aprovação de projetos

Além da procura aquecida, a Ademi-GO aponta a demora na aprovação de empreendimentos pela Prefeitura de Goiânia como um obstáculo à ampliação da oferta.

O presidente da associação, Felipe Melazzo, avalia que a manutenção das vendas sem reposição suficiente pode provocar escassez de unidades e pressionar os preços.

“Vamos caminhar para uma quebra de oferta, o que implica em preço mais alto para o consumidor e projetos parados na gaveta”, alertou.

A discussão sobre o licenciamento também mobilizou o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO).

Em 22 de setembro de 2026, a entidade divulgou informações sobre uma reunião realizada com técnicos municipais para discutir prazos, dificuldades na análise de projetos e alternativas para agilizar os procedimentos.

Entre as propostas apresentadas estavam mecanismos de triagem para identificar inconsistências antes da avaliação técnica.

Apesar das reclamações do setor, os levantamentos disponíveis não permitem determinar quanto da redução do estoque habitacional decorre especificamente dos atrasos no licenciamento.

Enquanto isso, o financiamento federal conta com novos recursos. Em 15 de abril de 2026, o Governo Federal anunciou um aporte adicional de R$ 20 bilhões, elevando para aproximadamente R$ 200 bilhões o orçamento habitacional previsto para o ano.

Pelas regras atualizadas do Minha Casa, Minha Vida, a Faixa 2 contempla famílias com renda mensal entre R$ 3.200,01 e R$ 5 mil. Já a Faixa 3 atende rendimentos de R$ 5.000,01 a R$ 9.600.

A disponibilidade de recursos, porém, não garante que existam imóveis suficientes para atender à procura em todas as regiões do país.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.