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Modelo que teve o sonho interrompido na China volta a ter esperança em Anápolis

Adrielly, à esquerda, ao lado da amiga Melany durante viagem de volta ao Brasil. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Meu maior medo era ficar presa lá por tempo indeterminado”, relata a repatriada, que tem recebido mensagens de apoio e carinho da população local

Adrielly Eger, de 18 anos, nasceu no Paraná e se mudou com a família para Santa Catarina. Há três meses estava em Wuhan, cidade chinesa epicentro do coronavírus, para viver o sonho de ser modelo.

Ela faz parte do grupo de 34 repatriados que estão em quarentena na Ala 2 de Anápolis desde a manhã do último domingo (09) e tem expectativa de retornar à carreira, sem obstáculos, quando tudo se normalizar.

“Acredito que todos devem entender que estamos realizando esses procedimentos e passando pela quarentena justamente para que depois não haja nenhuma dúvida que não somos um risco para a sociedade. Inclusive, quando sairmos, vamos ganhar um certificado de que está tudo bem para que a gente volte a ter contato com as outras pessoas fora daqui”, disse ao Portal 6.

Adrielly desfilando em Xian, na China. (Foto: Arquivo Pessoal)

De acordo com a jovem, foram difíceis os momentos em que ela e a amiga, Melany Umann, que também está na Ala 2, passaram na China. A quarentena em Wuhan começou no mesmo dia em que as duas viajariam para trabalhar no Vietnã. Devido ao fechamento da cidade, elas perderam o voo e o contrato.

“[Além da doença], meu maior medo era ficar presa lá por tempo indeterminado. Os dias de quarentena foram de muita angústia porque não sabíamos se íamos ter alimento todos os dias. Agora com certeza a gente se sente muito mais aliviado de estar aqui”, relatou.

Apesar de ainda estar a quilômetros de distância de casa, Adrielly espera com otimismo que os dias passarão rápido. A rotina entre todos os repatriados, segundo ela, tem sido tranquila e, em breve, viajará de volta a Santa Catarina para se reencontrar com a família.

“Acredito que aqui todos estão bem, mais tranquilos e felizes por ter saído da região do vírus. Mesmo se alguém tivesse triste, a gente recebeu orientação que, se precisar, vão disponibilizar psicólogos para nos atender. Aqui temos liberdade para ficar na área de lazer e fazemos o que temos vontade. A única orientação é o uso de máscara e que outras pessoas não entrem nos nossos quartos, já que é o local que ficamos sem as máscaras”, explicou.

“São precauções para que logo isso termine da melhor forma possível. É uma rotina normal, a gente se alimenta bem, tem programações, pode conversar com os outros. Com certeza é difícil, mas o pior já passou. A gente está muito aliviado por estar longe da zona de risco. Esses 18 dias vão passar rápido, então não vai ser tão difícil passar por isso como estava sendo difícil viver lá em Wuhan”, acrescentou.

Apoio

Adrielly também é uma das jovens que teve o perfil descoberto nas redes sociais pelos anapolinos. Segundo a jovem, são muitas as mensagens de apoio e carinho que tem recebido desde que chegou.

“Só tenho a agradecer a todas essas mensagens. Ainda estou tentando responder um por um, o que é difícil porque são muitas, mas agradeço já de agora para todos que mandaram. Eu gostaria muito, não sei se vai ser possível, mas acho que seria bem legal conhecer a cidade de Anápolis”, afirmou.

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Exames

Mesmo com a rotina tranquila, Adrielly contou à reportagem que três vezes ao dia os repatriados são submetidos a uma avaliação médica, que consiste em medir a temperatura corporal e aferir a pressão arterial.

O Ministério da Defesa também tem divulgado boletins diários sobre o quadro clínico de cada um, que continua integralmente assintomático.

Na tarde desta terça-feira (11), inclusive, o Ministério da Saúde informou que os resultados dos exames de todos deram negativo para o coronavírus. A notícia foi comemorada pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) nas redes sociais.

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