Bastidores indicam que a revisão do Plano Diretor de Goiânia deve ser o novo retrocesso da Gestão Rogério Cruz

Acordo com o presidente da Câmara, Romário Policarpo, também serviria para garantir que o texto seja aprovado a toque de caixa e sem discussão

Yago Sales -
Romário Policarpo, presidente da Câmara de Goiânia, e o prefeito da capital, Rogério Cruz. (Foto: Divulgacão/ Câmara Municipal)

Nos corredores do 1° andar do Paço Municipal, na Procuradoria-Geral do Município, uma das prioridades é a análise jurídica do calhamaço contendo ajustes na revisão do Plano Diretor de Goiânia. O texto chegou ao órgão no último dia 27, depois de semanas na Casa Civil.

O documento deve ser encaminhado à Câmara Municipal até dia o 15 de novembro. Essa é uma data limite consenso entre técnicos e vereadores, mas não deve surpreender se for adiada.

Há quase 05 anos sendo discutido e rediscutido, o projeto poderá ser aprovado às pressas e sem a devida discussão, sobretudo sem ouvir setores importantes da sociedade.

Nos bastidores existe a garantia de que o presidente do Legislativo goianiense, Romário Policarpo (Patriota), consiga aprovar o texto rapidamente em novembro, a exemplo do que fez com o Novo Código Tributário da capital. A ligeireza, todos sabem, teve um preço: o apoio do prefeito Rogério Cruz (Republicanos) na reeleição antecipada de Policarpo na Câmara.

Agora, numa espécie de novo acordão, entrou em jogo a revisão do Plano Diretor. O documento, defasado desde 2007, com uma tímida mudança em 2017, atrasa o desenvolvimento da cidade desde a área ambiental ao desenvolvimento social.

Em conversa com especialistas, o Portal 6 ouviu queixas sobre o enfoque que estaria sendo dado ao adensamento e expansão urbana. Um prato cheio para o lobby de incorporadoras, reconhecem.

Todos eles temem que se o documento também for aprovado a toque de caixa, e sem discussão necessária, os problemas que a capital já tem nessa área serão mais agravados que diminuídos.

Outra temeridade é que, diferentemente do texto de revisão que quase foi aprovado na gestão Iris Rezende (MDB), em dezembro do ano passado, o que deve ser bancado por Rogério Cruz não teria passado pelas mãos de técnicos. Isso porque os que tinham na Prefeitura foram substituídos pelo atual prefeito ainda em fevereiro, a partir de critérios políticos.

Criado em 2015 para pensar uma cidade mais humanitária, o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese) participou das discussões, inclusive com representantes dentro do grupo de trabalho para a construção da matéria. A entidade chegou a divulgar uma prévia do Plano Diretor na internet, mas ele logo foi retirado do ar.

Caso chegue à Câmara Municipal com esses vícios, pontos historicamente negligenciados continuarão sendo problema. A ocupação de morros, como o do Mendanha, cobiçado por igrejas evangélicas, é um exemplo. Outro são as áreas com riscos de inundações e de alagamento, que totalizam 90 locais nessas condições,  conforme integrantes do último grupo técnico que passou pela Prefeitura.

Instada a falar sobre o andamento do texto sobre o Plano Diretor que será enviado ao Legislativo, a comunicação da Prefeitura de Goiânia se limitou a dizer o que a reportagem já sabia: que ele está sob análise da Procuradoria Geral do Município.

Já o presidente da Câmara, Romário Policarpo, não atendeu às ligações do Portal 6.

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