Nós, profissionais da saúde, temos uma mensagem a ser transmitida à vida humana

José Fernandes -
(Foto: Reprodução)

Há três dias isolado em um cômodo com sintomas gripais, abandonando o isolamento exclusivamente para fazer exames. A febre ainda não deu trégua, mas o estado geral é bem melhor. Afastado o diagnóstico do atual vírus da pandemia, as várias medicações têm sido eficientes. Esse é o resumo do resumo da nossa semana.

O resultado de um desses exames, que não tem nada a ver com a infecção vigente, foi o suficiente para gerar um gatilho de emoções que faço questão de dividir com vocês. Não o resultado em si, mas a forma como ele foi transmitido.

Conversando com quatro especialistas da área, passou um filme de terror na minha cabeça. Quero me dirigir aos leitores, em especial os profissionais de saúde médicos e não médicos, que trabalham arduamente nos serviços de emergências.

Recebo diariamente mensagens de pessoas insatisfeitas com o atendimento, desde a portaria até à consulta especializada, que criticam a higiene do local, as acomodações e instalações físicas. Problemas existem? Vários. Salários estão atrasados? Vamos atrás da caloteira. Maiores responsáveis? Muitas vezes omissos e oportunistas. Mas não devemos esquecer DO PACIENTE.

Temos uma mensagem a ser transmitida a uma vida humana. E nós mensageiros da saúde, podemos conduzir essa mensagem, mesmo que seja drástica, de uma maneira sábia, dando alternativas e esperanças quanto ao tratamento, ou lançarmos aquele doente ao fundo do poço.

Trabalhei quase 15 anos em urgência/emergência e até hoje com mortes violentas toda semana no IML. No artigo anterior, aqui neste espaço, deixei três aplicações importantes a todos. Tão importantes, que vou repetir.

Se soubéssemos na matemática do destino quando morreríamos, o que faríamos de diferentes como ser humano até a data da morte chegar? Sugeri:

1)    Escolher melhor as pessoas com quem escutarmos conselhos e convites.

2)    Medir melhor as nossas palavras. Quem conhece o peso de uma palavra, valoriza a grandeza do silêncio. Ainda mais, com pacientes.

3)    Perdoaria mais. A falta do perdão nos deixa encarcerados em nosso orgulho e isso mata!

Hoje fui paciente e experimentei com a mesma mensagem, emoções que me levaram do inferno ao céu.

É isso.

José Fernandes é médico (ortopedista e legista) e bacharel em direito. Atualmente vereador em Anápolis pelo PSB. Escreve todas às sextas-feiras. Siga-o no Instagram.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as visões do Portal 6.

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