Ucrânia diz que Rússia usou arma cluster em ataque que matou ao menos 19 em cidade natal de Zelenski

Ataque é considerado um dos maiores desde o começo do ano

Folhapress Folhapress -
Ucrânia diz que Rússia usou arma cluster em ataque que matou ao menos 19 em cidade natal de Zelenski
Ataques na Ucrânia (Foto: Reprodução)

(FOLHAPRESS) – O Exército da Ucrânia afirmou neste sábado (5) que a Rússia usou uma munição cluster para bombardear Krivii Rih, cidade natal do presidente Volodimir Zelenski, na véspera.

O ataque, um dos maiores desde o começo do ano, matou 19 pessoas, incluindo nove crianças, segundo Kiev, enquanto Moscou fala em 85 mortos em uma reunião militar.

Também chamadas de bombas de fragmentação, munições cluster se separam em dezenas de outras menores quando lançadas, espalhando-se por uma área extensa —o que pode ter um efeito devastador em uma região com grande concentração de pessoas.

Além disso, muitos desses projéteis não são detonados instantaneamente. Isso faz com que, assim como as minas terrestres, esse tipo de arma represente um risco à vida de civis que passem por locais que já foram palco de batalhas anos ou mesmo décadas antes.

No caso do ataque desta sexta, a bomba caiu em uma área residencial, de acordo com autoridades ucranianas. Segundo o prefeito de Krivii Rih, Oleksandr Vilkul, a ofensiva danificou dezenas de prédios e seis institutos educacionais. Entre os 72 feridos estão um bebê de três meses, de acordo com o político.

“O míssil explodiu no ar (…) para ferir mais pessoas”, disse ele. “Crianças foram mortas em um playground ou perto dele.” Vários vídeos não verificados e compartilhados nas redes sociais mostram corpos na cidade, incluindo um caído em frente a balanços.

A Rússia sustenta que o ataque matou 85 pessoas que estavam em uma suposta reunião militar —incluindo funcionários estrangeiros. O país, no entanto, não apresentou evidências, e Kiev afirma que Moscou está espalhando informações falsas para “encobrir seu crime cínico”.

A embaixadora americana na Ucrânia, Bridget Brink, afirmou na noite de sexta que estava “chocada” com o “bombardeio de mísseis balísticos”, sem mencionar sua origem —o que gerou controvérsia na Ucrânia.

O retorno de Donald Trump, um crítico da ajuda militar de Washington a Kiev, à Casa Branca, fez a relação entre os dois países estremecer.

“A reação da embaixada americana é desagradavelmente surpreendente. Um país e um povo tão fortes, e uma reação tão fraca”, criticou Zelenski neste sábado em suas redes sociais. “Eles têm até medo de dizer a palavra ‘russo’ quando falam sobre o míssil que matou as crianças.”

Também neste sábado, Moscou disse que a Ucrânia aumentou seus ataques à infraestrutura energética russa, atingindo alvos 14 vezes nas últimas 24 horas, apesar de um cessar-fogo intermediado pelos EUA —outra afirmação que o Exército ucraniano chamou de falsa.

Segundo a Rússia, os ataques causaram danos nas regiões de Briansk, Belgorod, Smolensk, Lipetsk e Voronezh, bem como nas regiões ucranianas de Luhansk e Kherson, que Moscou controla.

Já o Exército ucraniano disse que suas forças estavam atacando apenas alvos militares. Não foi possível verificar os relatos de forma independente.

Além disso, o governador de Mordóvia, na Rússia, disse que drones ucranianos atingiram uma instalação industrial, e relatos da imprensa local afirmaram que o alvo era uma fábrica de fibra óptica na capital da região, Saransk.

Já o governador da região de Samara disse que uma fábrica na cidade de Tchapaevsk foi atacada por drones ucranianos. Uma fonte no serviço de segurança ucraniano disse à agência de notícias Reuters que o alvo era uma fábrica que produz explosivos industriais e que o ataque causou múltiplas explosões e incêndios.

Rússia e Ucrânia concordaram no mês passado com uma proposta dos EUA de um cessar-fogo de 30 dias em relação à infraestrutura energética um do outro. Desde então, ambos os lados se acusaram de violar o acordo.

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