O que “Dudu”, “Lulu” e “Gugu” têm em comum? A origem dos apelidos duplicados

Eles não são meros apelidos: são marcas de convivência, de infância e de laços sociais

Anna Júlia Anna Júlia Steckelberg -
O que “Dudu”, “Lulu” e “Gugu” têm em comum? A origem dos apelidos duplicados
(Foto: Gabo Morales/Folhapress)

Na intimidade dos lares brasileiros, ouvir “Dudu”, “Lulu” ou “Gugu” é mais comum do que se imagina. Mas por que tantos apelidos terminam num eco de sílaba repetida?

Ao olhar para trás, percebemos que esse tipo de nome familiar não surgiu ontem — ele é fruto de práticas linguísticas, sociais e culturais que caminharam lado a lado com a evolução do português falado no Brasil.

O que “Dudu”, “Lulu” e “Gugu” têm em comum? A origem dos apelidos duplicados

Desde o século XIX, no português brasileiro, a formação de apelidos – os chamados hipocorísticos – construiu um universo afetivo de proximidade.

Um nome próprio como “Eduardo” foi reduzido e transformado em “Dudu” para expressar familiaridade e carinho; “Luís” virou “Lulu” pela repetição sonora que o torna mais leve. Segundo o site da tese de estudos sócio-onomásticos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apelidos duplicados são um recurso comum para tornar o nome mais amistoso e íntimo, especialmente entre familiares e amigos.

Na linguística, a repetição de sílabas em apelidos tem uma função fonética e emocional: ao duplicar, o nome adquire ritmo e suavidade, rompendo com a formalidade do nome completo.

Essa estratégia é perceptível já em crianças — “Lili”, “Bibi”, “Zezé” — que adotam esse padrão para expressar afeto e aproximação cotidiana. O site “Revelando a Linguagem” aponta que os diminutivos, aumentativos e apelidos no Brasil, com suas peculiaridades, misturam ludismo e identidade pessoal.

É interessante notar que nem sempre esses apelidos têm relação direta com o nome de origem. “Gugu”, por exemplo, foi pseudônimo artístico de nomes como “Gualberto” ou “Gustavo”, ganhando vida própria no meio artístico – como no caso de Gugu Liberato. Há casos em que a sílaba duplicada não reflete fidelidade ao nome original, mas se estabelece por sonoridade e aceitação social.

Esse fenômeno também responde ao desejo de proximidade em sociedades mais calorosas. Em contextos informais, o apelido repetido sustenta intimidade e leveza. Mesmo em campanhas eleitorais ou no meio artístico, usá-lo pode estreitar vínculos com o público, tornando o nome mais “gente como a gente”.

Ao observarmos a cultura de apelidos no Brasil, vemos que “Dudu”, “Lulu” e “Gugu” fazem parte dessa tradição de suavizar o nome formal com leveza e afeto. Eles não são meros apelidos: são marcas de convivência, de infância e de laços sociais que ecoam no cotidiano, e que contam uma história de afetividade refletida no próprio som do nome.

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Anna Júlia

Anna Júlia Steckelberg

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com Portal 6 desde 2021.

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