Motorista de aplicativo de Goiânia denuncia assédio em chats de aplicativos de corrida: “respeito para quem está trabalhando”

Prestador de serviço e influenciador divulgou prints mostrando as abordagens repudiando a atitude

Paulo Roberto Belém Paulo Roberto Belém -
Motorista de aplicativo de Goiânia denuncia assédio em chats de aplicativos de corrida: “respeito para quem está trabalhando”
Prints revelas as abordagens feitas pelo aplicativo da 99. (Foto: Reprodução/Instagram)

Estando na rua, trabalhando para as plataformas de mobilidade com presença mais forte no país, o que esperam os motoristas que recebem mensagens pelo chat do aplicativo antes de chegar ao local do embarque?

O óbvio seria que o contato facilitasse a comunicação entre passageiro e motorista. Agora, em algumas situações, a ferramenta tem sido utilizada para crimes de assédio sexual, com investidas pornográficas.

Prints postados pelo motorista e influenciador Fabricio Miranda, de Goiânia – @fabricio.driver62 – revelam a situação ocorrida dentro da 99. Uma das abordagens cita: “Bora meter?”, com o prestador de serviço pedindo “respeito para quem está trabalhando”.

Ofereceu dinheiro

Em um segundo caso, quem solicitou a corrida oferece dinheiro por sexo. “Te dou 400$ para deixar eu dar uma mamada e sentada, iae topa”?, dizendo que aquilo seria no “sigilo total”. A resposta do motorista não foi divulgada.

Um terceiro print revela outra abordagem. “Solteiro”?, pergunta quem solicitou. O trabalhador responde: “Como assim”?, estranhando o contato. Em seguida, mais uma investida sexual. ”Deixa mma”, sugerindo que seria “coisa rápida”.

Inusitado

Em uma seguinte postagem, uma explicação bizarra. “Moço, eu estava em festa, daí minha roupa molhou. Você se importa se eu for de cueca para não molhar o banco”?, questiona. Já o prestador de serviço responde de forma ríspida. “Vai de cueса no inferno”, disparou.

Outro print revela mais assédio e investida inusitada. (Foto: Reprodução/Instagram)

Na última captura de um contato, mais uma oferta de dinheiro por sexo oral. “Só queria te chupar. Pago 50”. Nesse caso, o motorista sugere que havia reconhecido a abordagem, que seria recorrente. “De novo, mano. Tem o que fazer não”, declara.

Último caso sugere recorrência. (Foto: Reprodução/Instagram)

O que entende o influenciador

Exibindo as situações, o influenciador cobrou repúdio aos assédios contra motoristas no app da 99, classificando como grave a plataforma ser usada para fazer propostas sexuais, oferecer dinheiro e constranger motoristas durante o trabalho.

“Quando o motorista recusa, como qualquer profissional faria, o passageiro simplesmente cancela a corrida e segue fazendo o mesmo com outros motoristas”, explica.

Fabricio Miranda comenta sobre a inércia da Big Tech nas situações do tipo, o que faz usuários continuarem causando prejuízo emocional e financeiro aos motoristas. “Se fosse o contrário, todo mundo sabe: o motorista já estaria bloqueado”, entende.

A reportagem entrou em contato com a 99 para perguntar se a plataforma monitora esse tipo de abordagem pelo chat e quais as sanções aos usuários com a atitude criminosa.

Com a palavra, a 99:

“A 99 tem uma política de tolerância zero em casos de assédio e violência sexual. A companhia investe em recursos de proteção antes, durante e depois das corridas. Caso identifiquem algum risco, tanto motorista parceiro quanto passageiro podem acionar o botão de emergência do aplicativo para ligar diretamente para a polícia. Além disso, os usuários contam com uma Central de Atendimento 24h, com profissionais especializados para oferecer todo o apoio necessário.

Aos motoristas e motociclistas parceiros são disponibilizadas informações sobre a corrida para que eles possam tomar a melhor decisão sobre sua segurança. Há ainda o Selo de Verificação 99, com validação adicional da documentação enviada pelos passageiros e avaliações feitas por outros condutores. Para as motoristas parceiras, a empresa criou o botão 99 Mulher, que permite às condutoras receberem apenas corridas de mulheres. A plataforma também investe na conscientização e promoção do respeito e empatia entre passageiros e parceiros, por meio do Guia da Comunidade 99.”

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Paulo Roberto Belém

Paulo Roberto Belém

Jornalista profissional, com passagem por veículos radiofônicos e impressos. Também possui experiência em assessoria de comunicação. Atualmente, dedica-se à cobertura do cotidiano de Goiás, sempre buscando aprofundar os temas com responsabilidade, sensibilidade e apuração rigorosa.

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