Após décadas de desaparecimento, ave mais poderosa da América do Sul reaparece e expõe um colapso alarmante em seu habitat
O retorno de um símbolo expõe feridas antigas ainda abertas na paisagem natural

Considerada um dos predadores aéreos mais impressionantes do planeta, a harpia voltou a ser registrada em regiões onde era dada como desaparecida há décadas.
Isso porque avistamentos recentes no Brasil e no sul do México reacenderam o interesse da comunidade científica e trouxeram à tona um debate urgente sobre o real estado das florestas tropicais na América Latina.
A reaparição da ave, confirmada por registros visuais e armadilhas fotográficas, ocorre em áreas que sofreram forte pressão do desmatamento ao longo do último século.
A harpia depende de grandes extensões contínuas de floresta madura para caçar e se reproduzir, o que faz de sua presença um termômetro preciso da saúde do ecossistema.
Quando ela desaparece, normalmente é sinal de colapso ambiental. No Brasil, o registro recente ocorreu em uma área amazônica onde a espécie não era vista há várias décadas.
Já no México, imagens obtidas em uma floresta tropical de planície confirmaram a presença da ave pela primeira vez em mais de dez anos, marcando o ponto mais ao norte de sua distribuição recente. Esses locais coincidem com os últimos corredores florestais ainda conectados na região.
Especialistas alertam que o retorno da harpia não deve ser interpretado apenas como uma vitória da conservação. Pelo contrário, ele expõe o quanto esses habitats se tornaram raros e fragmentados.
A espécie exige árvores altas para nidificação e uma fauna abundante de mamíferos arborícolas, condições cada vez mais restritas a bolsões isolados de floresta bem preservada.
Apesar do avanço de tecnologias de monitoramento e de iniciativas de reflorestamento e corredores biológicos, a harpia segue classificada como quase ameaçada.
Seu reaparecimento funciona como um aviso claro: ainda há vida resistindo, mas o equilíbrio ecológico permanece frágil. Proteger o que resta da floresta não é apenas uma escolha ambiental, mas uma condição para evitar novos desaparecimentos silenciosos.
Confira um pouco mais sobre ela:
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