Respira fora d’água e anda em terra: o peixe que virou uma ameaça global e intriga cientistas

Espécie invasora consegue sobreviver dias fora da água, se deslocar por terra firme e já domina rios em diferentes continentes

Isabella Valverde Isabella Valverde -
Respira fora d’água e anda em terra: o peixe que virou uma ameaça global e intriga cientistas
(Foto: Captura de Tela/TikTok)

À primeira vista, parece apenas mais um peixe alongado encontrado em rios e lagos.

Mas suas habilidades surpreendem até especialistas e acendem alertas ambientais ao redor do mundo.

O chamado peixe-cabeça-de-cobra possui uma adaptação rara na natureza.

Ele consegue respirar fora da água, sobreviver por vários dias em ambientes úmidos e até se deslocar por terra firme.

Essa combinação incomum transformou a espécie em uma das mais perigosas invasoras aquáticas do planeta.

Um peixe que não depende apenas da água

O segredo está em um órgão respiratório especial, localizado acima das brânquias.

Essa estrutura permite que o animal absorva oxigênio diretamente do ar, funcionando como um pulmão primitivo.

Graças a isso, o peixe sobrevive em locais onde outras espécies morrem rapidamente, inclusive em águas poluídas ou pobres em oxigênio.

Capaz de “andar” entre rios

Diferente de peixes que apenas se debatem fora d’água, o peixe-cabeça-de-cobra se move de forma coordenada.

Ele usa o próprio corpo para rastejar por superfícies úmidas, lama ou vegetação.

Isso permite que atravesse áreas terrestres curtas e alcance novos rios e lagos sem ajuda humana, algo raro no mundo animal.

Além da resistência extrema, a espécie é um predador dominante.

Ela se alimenta de peixes nativos, anfíbios, crustáceos, insetos aquáticos e até pequenos répteis.

Em regiões invadidas, especialistas observaram quedas abruptas na diversidade de espécies locais, afetando toda a cadeia alimentar.

Reprodução rápida agrava o problema

O impacto se intensifica por causa da reprodução acelerada.

Cada fêmea pode liberar dezenas de milhares de ovos por ciclo, com proteção ativa dos filhotes.

Esse comportamento dificulta o controle populacional e acelera a ocupação de novos ambientes.

Originalmente, o peixe-cabeça-de-cobra é nativo da Ásia.

Fora desse ambiente, porém, passou a se espalhar por países da América do Norte e outras regiões.

A introdução ocorreu principalmente por comércio ilegal, aquarismo e solturas irresponsáveis.

A presença da espécie afeta não apenas o meio ambiente, mas também a economia.

Regiões invadidas registraram prejuízos à pesca, aumento de custos de controle e desequilíbrio em áreas protegidas.

Autoridades ambientais alertam que a liberação de espécies exóticas pode gerar danos irreversíveis aos ecossistemas.

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Isabella Valverde

Isabella Valverde

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com passagens por veículos como a TV Anhanguera, afiliada da TV Globo no estado. É editora do Portal 6 e especialista em SEO e mídias sociais, atuando na integração entre jornalismo de qualidade e estratégias digitais para ampliar o alcance e o engajamento das notícias.

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