A cidade do México onde a Coca-Cola é mais comum que a água
Município indígena de Chiapas chama atenção pelo consumo elevado do refrigerante, presente no cotidiano e até em rituais religiosos

San Juan Chamula, localizada nas montanhas do estado de Chiapas, no sul do México, é frequentemente apontada em reportagens internacionais como a cidade que mais consome Coca-Cola no mundo.
O dado chama atenção não apenas pelo volume da bebida ingerida, mas pelo papel simbólico que o refrigerante assumiu no cotidiano da população local, indo muito além das refeições e se integrando a práticas culturais e religiosas.
Com forte presença indígena, especialmente do povo tsotsil, o município mantém tradições próprias que misturam elementos ancestrais e influências do catolicismo. Dentro da principal igreja da cidade, dedicada a São João Batista, não é raro ver garrafas de Coca-Cola sendo usadas durante rituais.
Para os moradores, beber o refrigerante e arrotar faz parte de um processo simbólico de purificação espiritual, um costume que desperta curiosidade entre turistas e pesquisadores.
A fama de San Juan Chamula como a cidade que mais bebe Coca-Cola está ligada também a fatores sociais e estruturais. Em diversas áreas da região, o acesso à água potável de qualidade é limitado, o que historicamente levou a população a recorrer a bebidas industrializadas.
Com o passar do tempo, o refrigerante acabou incorporado à rotina diária e ganhou status de produto culturalmente aceito e amplamente disponível.
Estimativas frequentemente citadas na imprensa apontam um consumo per capita muito acima da média nacional mexicana, embora os números variem conforme a fonte.
Mais do que a estatística exata, o consenso é que o consumo é excepcionalmente alto, a ponto de se tornar um dos principais símbolos da cidade para o restante do mundo.
Esse hábito, no entanto, também levanta alertas. San Juan Chamula está inserida em um dos estados com maiores índices de pobreza do México, e o alto consumo de bebidas açucaradas costuma ser associado ao aumento de casos de diabetes e outros problemas de saúde.
Por isso, o município aparece com frequência em debates sobre alimentação, desigualdade social e responsabilidade das grandes indústrias de bebidas.
A história da cidade desperta interesse justamente por mostrar como consumo, cultura e contexto social se misturam. Em San Juan Chamula, a Coca-Cola deixou de ser apenas um refrigerante e passou a ocupar um espaço simbólico profundo, tornando o município um exemplo único de como hábitos globais podem ganhar significados locais muito específicos.
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