Considerada a maior do mundo, abelha gigante some por 40 anos e reaparece em floresta remota

Redescoberta na Indonésia, a Megachile pluto surpreende cientistas e reforça que espécies raras ainda podem sobreviver longe dos holofotes

Isabella Valverde Isabella Valverde -
Considerada a maior do mundo, abelha gigante some por 40 anos e reaparece em floresta remota
(Foto: Captura de Tela/YouTube)

Durante décadas, ela existiu apenas em registros antigos, fotos em livros e na memória da ciência. Grande demais para passar despercebida e, ainda assim, invisível por quase 40 anos.

A reaparição da Megachile pluto, conhecida como a maior abelha do mundo, em uma floresta remota da Indonésia, reacendeu o fascínio global por espécies consideradas “perdidas” e lembrou que a biodiversidade ainda guarda segredos surpreendentes.

O inseto foi registrado vivo em uma região florestal das Molucas Setentrionais, após buscas direcionadas em áreas pouco exploradas. O reencontro teve peso simbólico e científico: tratava-se de uma espécie que muitos acreditavam já não existir mais em seu habitat natural.

A Megachile pluto chama atenção logo à primeira vista. Com corpo robusto, coloração escura e uma faixa clara no abdômen, a espécie se destaca sobretudo pelo tamanho.

As fêmeas podem alcançar cerca de 38 milímetros de comprimento, com envergadura próxima a 6 centímetros — dimensões incomuns até mesmo entre grandes insetos. As mandíbulas fortes, especialmente desenvolvidas, são uma de suas marcas mais impressionantes.

Essas estruturas não servem para ataque, mas para construção. Diferentemente das abelhas sociais, a Megachile pluto tem hábitos solitários e depende de um tipo muito específico de abrigo: cupinzeiros localizados em árvores. É ali que a fêmea cria compartimentos internos, usando resina e madeira para formar uma espécie de “parede” que a separa dos cupins e protege seus ovos.

Essa relação peculiar com o ambiente ajuda a explicar por que a espécie pode desaparecer dos registros por tanto tempo. Ela não forma colônias visíveis, não sobrevoa áreas urbanas e depende de florestas preservadas com estruturas muito específicas. Mesmo sendo grande, vive de forma discreta.

A história da abelha-gigante está ligada a um dos nomes mais importantes da ciência. O primeiro exemplar conhecido foi coletado no século XIX pelo naturalista Alfred Russel Wallace, um dos formuladores da teoria da evolução por seleção natural. Desde então, os registros sempre foram raros e espaçados, o que alimentou a ideia de que a espécie estivesse extinta.

Houve apenas alguns reencontros pontuais ao longo do século XX, como os documentados nos anos 1980, quando pesquisadores descreveram seu comportamento de nidificação. Depois disso, novamente silêncio. Até agora.

A redescoberta ocorreu em meio a iniciativas globais que incentivam a busca por “espécies perdidas”, aquelas conhecidas apenas por registros históricos. A Megachile pluto figurava entre as mais procuradas, justamente por reunir tamanho impressionante, raridade extrema e um longo período sem confirmações no ambiente natural.

O registro recente foi feito com documentação fotográfica e em vídeo, e o exemplar foi devolvido à natureza. A decisão seguiu protocolos adotados para espécies raras, evitando reduzir ainda mais populações possivelmente pequenas.

Além da importância científica, o caso também levantou alertas. Antes mesmo da confirmação do reencontro, exemplares da abelha já haviam aparecido à venda em plataformas online, reacendendo o debate sobre o comércio ilegal de espécies raras e o risco que a exposição excessiva pode representar.

Atualmente, a Megachile pluto é classificada como Vulnerável em avaliações internacionais de conservação. A principal ameaça é a perda de habitat. Florestas tropicais de baixa altitude, especialmente em ilhas da Indonésia, vêm sendo substituídas por áreas agrícolas e plantações, reduzindo os ambientes adequados para espécies altamente especializadas.

Mais do que um reencontro curioso, a reaparição da maior abelha do mundo funciona como um lembrete poderoso: mesmo em um planeta cada vez mais monitorado, ainda existem formas de vida capazes de permanecer fora do radar por décadas. E, em meio a florestas remotas e silenciosas, algumas delas seguem resistindo.

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Isabella Valverde

Isabella Valverde

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com passagens por veículos como a TV Anhanguera, afiliada da TV Globo no estado. É editora do Portal 6 e especialista em SEO e mídias sociais, atuando na integração entre jornalismo de qualidade e estratégias digitais para ampliar o alcance e o engajamento das notícias.

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