Advogado ensina como pedir de graça o documento que obriga banco a dar até 80% de desconto na dívida

Saiba como solicitar o Descritivo Evolutivo de Débito (DED) online, reunir provas e negociar com mais força com o banco

Gustavo de Souza -
Advogado ensina como pedir de graça o documento que obriga banco a dar até 80% de desconto na dívida
(Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil)

Você já tentou negociar uma dívida e ouviu que “esse é o melhor desconto possível”, sem que o banco explicasse de onde veio aquele valor? Em muitos casos, o consumidor aceita porque não tem acesso à conta detalhada do débito.

É aí que entra o Descritivo Evolutivo de Débito (DED): um documento que mostra a evolução do saldo devedor e ajuda a conferir se houve juros, multas, encargos e tarifas cobrados do jeito certo.

Com o DED em mãos, a negociação costuma ficar mais “amarrada”, e muitos relatos apontam que isso pode abrir espaço para abatimentos altos — embora o percentual final dependa de cada caso.

O que é o DED e por que ele muda o jogo na negociação

O DED é, basicamente, a “radiografia” da sua dívida. Ele discrimina o valor principal, os juros aplicados (taxas e períodos), multas, encargos, tarifas e a evolução completa do saldo até hoje.

Quando o banco entrega esse detalhamento, o consumidor consegue entender o que está pagando e identificar eventuais abusos, cobranças excessivas ou capitalização indevida. Isso dá mais poder de argumentação e facilita propostas mais agressivas de desconto — porque a negociação deixa de ser “no escuro” e passa a ser baseada em informação.

Passo a passo para pedir o DED de graça no consumidor.gov.br

O caminho indicado é abrir uma solicitação pela plataforma consumidor.gov.br, que centraliza reclamações e pedidos formais ao fornecedor.

O processo é simples e pode ser feito do celular, em poucos minutos.

  1. Acesse o site consumidor.gov.br: entre no portal oficial e vá para a área de acesso do consumidor.
  2. Faça login com a conta gov.br: use seu CPF e senha da conta gov.br (a mesma de serviços públicos digitais).
  3. Clique em “Registrar reclamação”: essa é a opção usada para abrir o pedido diretamente contra a instituição.
  4. Escolha o banco e preencha os tópicos: selecione a instituição financeira e complete os campos solicitados com seus dados e informações do contrato.
  5. Na aba “Reclamação”, escreva o seguinte texto: este modelo pede o Descritivo Evolutivo do Débito (DED) com base no direito à informação do Código de Defesa do Consumidor, e já solicita envio em prazo razoável:

À instituição financeira,

Venho por meio desta SOLICITAR o envio do DESCRITIVO EVOLUTIVO DO DÉBITO (DED), contendo a discriminação detalhada de:

• Valor principal contratado
• Juros aplicados (taxas e períodos)
• Multas e encargos
• Tarifas eventualmente incluídas
• Evolução completa do saldo devedor

O pedido tem fundamento no direito à informação clara e adequada previsto no Código de Defesa do Consumidor (art. 6º, III).

A ausência de transparência na composição do débito impede a verificação de eventuais abusividades, capitalização indevida ou cobrança excessiva.

Requeiro o envio do documento no prazo razoável, sob pena de adoção das medidas administrativas e judiciais cabíveis.

Data: __/__/__

CPF: __________________________
Contrato nº: __________________________

Depois do DED: como usar o documento para tentar baixar a dívida

Quando o banco responder, o ideal é conferir se o DED veio completo e legível. Se faltar informação (taxa, período, evolução do saldo), vale pedir complementação, porque “resumo” não é detalhamento.

Com o documento em mãos, o consumidor consegue negociar com mais firmeza: apontar cobranças confusas, discutir encargos e propor quitação com desconto maior.

O “até 80%” pode acontecer em cenários específicos, mas o principal é que o DED tira a negociação do chute e coloca números na mesa.

Confira o post do advogado passando o tutorial:

 

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Um post compartilhado por Rodrigo Moraes – Advogado (@msmoraesesilva)

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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