Compras pequenas no cartão de crédito podem virar armadilha no fim do mês, alertam especialistas

Uma comprinha aqui e outra ali passam despercebidos no dia a dia com o cartão de crédito, mas podem somar centenas de reais e estourar a fatura

Gustavo de Souza -
Compras pequenas do dia a dia podem virar uma bola de neve no fim do mês
(Foto: Ilustração/Kampus Production/Pexels)

Passar o cartão para um cafezinho, um salgado ou uma água parece um gasto inofensivo. O problema é que essas pequenas compras se repetem com tanta frequência que, no fim do mês, viram um valor alto e até mesmo difícil de explicar.

Muita gente só percebe o impacto quando a fatura chega. A sensação é de que “gastou sem comprar nada”, porque os valores pequenos não ficam registrados na memória com a mesma força que uma compra maior.

É justamente aí que mora a armadilha: o cartão facilita o pagamento, mas também reduz a percepção do quanto sai por dia.

Por que gastos pequenos passam despercebidos

Compras de baixo valor tendem a ser esquecidas porque a transação é rápida e parece irrelevante no momento.

Comprando com o cartão de crédito não há a sensação de “ver o dinheiro ir embora” que se tem com notas ou com o número da conta caindo com Pix ou débito, o que dificulta a consciência do gasto.

Quando o pagamento é por aproximação ou com poucos toques no celular, o hábito vira automático. O resultado é perder a noção do total gasto ao longo do dia.

Um café aqui, um chocolate ali, uma parada rápida na conveniência: em poucas horas, podem virar R$ 20 ou R$ 30 sem que a pessoa consiga listar onde ou com quem ficou seu dinheiro.

Como esse hábito estoura o orçamento sem você notar

O impacto real aparece na frequência. Um gasto de R$ 10 por dia pode parecer pequeno, mas vira R$ 300 no mês — e esse número cresce rápido quando entram lanches, impulsos no mercado e compras “de última hora”.

Esse dinheiro que vaza aos poucos poderia pagar contas fixas, reforçar a reserva de emergência ou reduzir dívidas com juros. Só que, como não é visto como “um gasto grande”, foge do controle e fica fora do radar.

As categorias mais comuns desse vazamento são alimentação fora de casa (padarias, lanchonetes e cafeterias) e compras por impulso em farmácias e mercados de conveniência, geralmente mais caras do que o planejado.

Estratégias práticas para retomar o controle

Uma forma simples de recuperar a percepção é definir um limite semanal em dinheiro para gastos variáveis do dia a dia. Pode ser R$ 100, R$ 150 ou R$ 200, conforme a realidade de cada um, mas necessariamente com um teto estabelecido.

Uma estratégia é guardar o cartão de crédito e usar meios que não criem “dívida futura” para pagar despesas pequenas. Quando só aceitar pagamento eletrônico, o débito pode ajudar, já que limita o gasto ao saldo disponível.

Também vale ativar notificações de compra no celular. O alerta imediato funciona como registro do gasto e impede que o consumo vire automático.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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