Do passado às prateleiras atuais: a história do sabonete que virou símbolo de riqueza no Brasil
Mais que higiene, uma experiência: como essa marca transformou sabonete em símbolo de luxo e tradição

Nem sempre vence quem cobra menos. Em um mercado acostumado a disputar preço, uma marca brasileira decidiu apostar em fragrância sofisticada, identidade forte e posicionamento premium.
Foi assim que a Phebo construiu sua trajetória. Fundada em 1930, em Belém (PA), por imigrantes portugueses, a perfumaria nasceu com a proposta de oferecer algo diferente do que dominava as prateleiras da época.
O resultado foi um sabonete que atravessou gerações e virou símbolo de tradição e qualidade.
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O início em Belém e o nascimento do Odor de Rosas
A Perfumaria Phebo foi criada por Antônio e Mário Santiago, que trouxeram ao Brasil influências da perfumaria europeia. Em um mercado dominado por sabonetes simples de coco, a marca lançou uma proposta mais elaborada.
O primeiro produto foi o sabonete Odor de Rosas. Com formato oval, coloração escura e transparência característica, tornou-se facilmente reconhecível.
No entanto, a fragrância combinava mais de uma centena de ingredientes, incluindo pau-rosa da Amazônia e especiarias como sândalo e cravo. A composição ajudou a consolidar a imagem de sofisticação da marca ainda nas primeiras décadas.
Experiência acima do preço
Desde o início, a estratégia não foi competir pelo menor valor. A marca apostou em diferenciação sensorial e construção de identidade.
O sabonete era apresentado como produto de qualidade superior, com aroma marcante e proposta distinta do padrão popular. A experiência, e não apenas a função de higiene, passou a ser o principal argumento.
Ao longo do tempo, embalagens elaboradas e comunicação cuidadosa reforçaram o posicionamento aspiracional. O consumidor não comprava apenas sabonete, mas tradição e memória afetiva.
Reposicionamento e permanência no mercado
Em 2004, a marca foi incorporada pela Granado, que investiu na revitalização de fórmulas clássicas e na expansão do portfólio.
Além disso, produtos como a tradicional Seiva de Alfazema ajudaram a manter a relevância da marca ao longo das décadas. Embora campanhas publicitárias tenham sido marcantes, não há confirmação oficial de premiação no Festival de Cannes para essas ações.
Hoje, o Odor de Rosas segue sendo comercializado e permanece como um dos itens mais emblemáticos da marca. A história mostra que, no Brasil, valor percebido pode falar mais alto que preço.
No fim das contas, não é apenas a etiqueta que define o sucesso. É a capacidade de transformar um produto cotidiano em símbolo cultural.
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