Após reflorestar ilha deserta com 16 mil árvores, homem cria ecossistema e rejeita oferta bilionária pelo lugar
Ao longo de décadas, Brendon Grimshaw recuperou uma área degradada e criou um refúgio para espécies ameaçadas

Quando muitos enxergavam apenas um território esquecido pelo tempo, um homem viu a chance de reconstruir a natureza a partir do zero.
Nos anos 1960, o britânico Brendon Grimshaw decidiu apostar tudo em um pequeno pedaço de terra degradado no Oceano Índico. Décadas depois, o local se tornaria um dos exemplos mais emblemáticos de preservação ambiental do mundo.
A área adquirida por ele, a Île Moyenne, fazia parte do arquipélago das Seicheles e estava praticamente abandonada. O solo era frágil, a vegetação escassa e quase não havia sinais de vida animal.
Mesmo assim, Grimshaw decidiu permanecer e iniciar, com as próprias mãos, um processo de recuperação que duraria toda a sua vida.
Sem grandes recursos financeiros ou apoio institucional, ele começou abrindo trilhas, estudando espécies nativas e planejando o reflorestamento da área.
Ao longo dos anos, mais de 16 mil árvores foram plantadas de forma estratégica, criando uma nova cobertura vegetal capaz de recuperar o equilíbrio do solo, da umidade e do microclima local.
Com o avanço da floresta, a fauna voltou gradualmente. Aves passaram a ocupar as copas, insetos restabeleceram cadeias alimentares e tartarugas gigantes encontraram ali um habitat seguro.
Diferentemente de reservas fechadas ou zoológicos, a proposta era simples: permitir que os animais vivessem livres, em um ambiente reconstruído para funcionar de forma natural.
O sucesso do projeto chamou atenção internacional. Investidores e empresários passaram a visitar a ilha e oferecer valores milionários — alguns deles avaliados como suficientes para torná-lo bilionário.
As propostas incluíam resorts, hotéis de luxo e empreendimentos turísticos. Todas foram recusadas.
Para Grimshaw, vender a ilha significaria destruir décadas de trabalho. O que havia sido recuperado com paciência e dedicação seria substituído por concreto, estruturas artificiais e circulação intensa de pessoas.
Ele preferiu manter o território preservado, mesmo diante de cifras extraordinárias.
Após seu falecimento, a ilha foi incorporada ao Parque Nacional Marinho das Seicheles, garantindo proteção legal permanente.
Desde então, o local segue preservado, funcionando como área de educação ambiental, pesquisa e turismo sustentável.
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