Após 80 anos de história, fábrica fecha as portas e demite mais de 900 funcionários
Mudanças econômicas recentes alteraram drasticamente o cenário industrial interno

A tradicional fabricante de pneus Fate anunciou o encerramento definitivo de sua unidade em Buenos Aires, colocando fim a mais de oito décadas de atividade industrial no país.
A decisão resultará na demissão de mais de 900 trabalhadores e ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade econômica e debate sobre reformas estruturais na Argentina.
Fundada há mais de 80 anos, a empresa chegou a ter capacidade produtiva estimada em cerca de 5 milhões de pneus por ano, consolidando-se como uma das principais referências do setor no mercado argentino.
Em comunicado divulgado à imprensa e repercutido pelo portal UOL, a companhia afirmou que cumprirá todas as indenizações previstas na legislação trabalhista e justificou o fechamento com base em “mudanças nas condições de mercado” e perda de competitividade diante do avanço das importações.
Dados da consultoria PxQ indicam que, entre 2023 e 2025, as importações de pneus cresceram 34%, enquanto os preços no mercado interno recuaram 42%.
A combinação desses fatores teria comprimido margens de lucro e dificultado a manutenção da produção local.
O encerramento da unidade se soma a um quadro mais amplo: segundo levantamentos econômicos recentes, mais de 21 mil empresas fecharam nos últimos dois anos, com a eliminação de cerca de 300 mil postos de trabalho no país.
O anúncio também ocorre em um momento de tensão política. A Argentina vive mobilizações sindicais, incluindo greve nacional de 24 horas, em protesto contra a reforma trabalhista impulsionada pelo presidente Javier Milei, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.
Representantes sindicais defendem intervenção estatal para tentar reverter o fechamento e preservar empregos, enquanto o governo sustenta que a abertura econômica e as reformas estruturais são necessárias para reequilibrar as contas públicas e estimular investimentos.
Especialistas em economia industrial apontam que o caso da FATE ilustra o impacto imediato da abertura comercial em setores tradicionalmente protegidos.
A maior concorrência externa pode beneficiar consumidores com preços mais baixos, mas impõe desafios às indústrias locais que enfrentam custos elevados de produção.
O episódio reacende o debate sobre política industrial, competitividade e o equilíbrio entre integração ao mercado global e preservação do emprego doméstico.
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