Barrada no curso de formação por estar grávida, mulher toma posse como policial 3 anos depois

Após ser desligada do curso de formação por estar grávida, candidata conseguiu retornar ao processo e assumir o cargo

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Barrada no curso de formação por estar grávida, mulher toma posse como policial
(Imagem: Reprodução/Instagram)

O que inicialmente foi marcado por uma situação injusta acabou se tornando uma conquista significativa na trajetória de Thainá Santos, de 28 anos.

Três anos após ser afastada do curso de formação por estar grávida, ela finalmente tomou posse como policial penal em Boa Vista, capital de Roraima.

A cerimônia aconteceu nesta semana e marcou o encerramento de uma longa batalha que começou em 2020, quando Thainá foi aprovada no concurso público para a Polícia Penal do estado.

Na época, ela avançou por todas as etapas do processo seletivo, incluindo prova objetiva, teste de aptidão física, avaliação psicológica, exame toxicológico e investigação social.

Quando o curso de formação teve início, a candidata estava grávida de seis meses. Mesmo assim, conseguiu participar das atividades por cerca de um mês.

No entanto, ao completar sete meses de gestação, acabou sendo desligada por decisão administrativa da Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima.

Segundo Thainá, a exclusão ocorreu mesmo após a apresentação de exames médicos que comprovavam que a gravidez não era de risco e que ela possuía condições físicas e psicológicas para continuar na formação. A decisão marcou o início de um período difícil.

Inconformada com a situação, ela buscou reverter o desligamento na Justiça ainda durante a gestação, mas não conseguiu retomar o curso naquele momento. A situação só começou a mudar em 2023, quando o Ministério Público de Roraima passou a acompanhar o caso.

A Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher apontou que a exclusão da candidata poderia violar direitos garantidos pela Constituição e por legislações que protegem o acesso das mulheres ao trabalho, especialmente durante a gravidez.

Após a intervenção do órgão, foi definido que Thainá teria o direito de retornar ao processo de formação após o nascimento do filho. O retorno aconteceu quando o bebê, Théo Lucca, tinha cerca de nove meses.

Para concluir a formação, a candidata realizou sozinha as etapas que não pôde cumprir durante a gestação. A medida fazia parte de um acordo para garantir que ela tivesse as mesmas condições dos demais candidatos que participaram do curso.

Em fevereiro de 2026, veio a nomeação oficial. Pouco tempo depois, a posse foi confirmada, encerrando um processo que quase terminou sem o resultado esperado.

Nas redes sociais, Thainá compartilhou duas imagens simbólicas: uma ainda grávida, pouco antes de ser desligada do curso, e outra já nomeada, ao lado do filho.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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