Não é desaparecimento, nem sequestro: o fenômeno no Japão que faz milhares sumirem por escolha própria
Prática conhecida como “johatsu” envolve pessoas que decidem sumir voluntariamente e recomeçar longe da própria identidade

No Japão, um fenômeno social tem chamado atenção por desafiar padrões tradicionais de vida. Nesse contexto, milhares de pessoas decidem desaparecer voluntariamente todos os anos.
Conhecido como “johatsu”, termo que pode ser traduzido como “evaporar”, o movimento envolve indivíduos que optam por abandonar suas vidas e recomeçar em anonimato.
O tema ganhou repercussão após relato do criador de conteúdo Anderson, do perfil @196sonhos, que afirma ser o primeiro brasileiro a visitar todos os países do mundo. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele explicou como funciona esse processo no país asiático.
O que é o fenômeno “johatsu”
O termo “johatsu” descreve pessoas que desaparecem de forma intencional, sem deixar rastros ou explicações. Ou seja, diferente de casos de sequestro ou desaparecimento forçado, a decisão parte do próprio indivíduo.
Segundo relatos, esse comportamento ocorre por diversos motivos. Entre eles, estão:
- problemas financeiros e dívidas
- pressão social e profissional
- situações de abuso doméstico
- vergonha ou fracasso pessoal
- dificuldades relacionadas à saúde ou autoestima
Além disso, fatores culturais no Japão, como a valorização da honra, contribuem diretamente para esse tipo de decisão. Por isso, muitos acabam enxergando o desaparecimento como uma saída.
Empresas ajudam no desaparecimento
Outro ponto que chama atenção é a existência de empresas especializadas nesse tipo de serviço.
Essas empresas, conhecidas como “night moving”, ajudam clientes a desaparecer de forma discreta. Dessa forma, o processo pode incluir mudança durante a madrugada, transporte de pertences e até suporte para recomeçar em outro local.
Em alguns casos, segundo o relato, clientes solicitam mudanças mais profundas. Por exemplo, há pedidos de alteração de aparência ou até tentativa de reconstruir a própria identidade.
Para onde vão essas pessoas
Muitas dessas pessoas acabam se estabelecendo em regiões onde o anonimato é mais comum. Nesse sentido, alguns locais acabam se tornando pontos de recomeço.
Um exemplo citado é Kamagasaki, bairro localizado em Osaka. Lá, moradores convivem sem questionar o passado uns dos outros.
Assim, o ambiente facilita o recomeço e reduz o risco de exposição.
Número de desaparecimentos chama atenção
Estima-se que cerca de 100 mil pessoas desapareçam voluntariamente por ano no Japão. Portanto, o número elevado reforça que o fenômeno não é isolado.
Com isso, o “johatsu” passou a ser tratado como uma questão social relevante. Além disso, pesquisadores e autoridades passaram a observar o tema com mais atenção.
Um fenômeno cultural e social
Embora o “johatsu” pareça incomum em outros países, ele reflete aspectos culturais específicos do Japão.
Por um lado, a prática evidencia a pressão por sucesso e estabilidade. Por outro, mostra como algumas pessoas optam por recomeçar completamente.
Assim, desaparecer, nesse contexto, não é necessariamente um mistério. Pelo contrário, trata-se de uma escolha que, para muitos, representa uma nova chance.
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