Israel ignora cessar-fogo e faz maior ataque ao Líbano desde o início da guerra
Líbano foi arrastado para o conflito após o grupo Hezbollah, aliado de Teerã, ter atacado o Estado judeu em retaliação ao início do conflito

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o cessar-fogo de duas semanas na guerra contra o Irã não inclui o Líbano, e Tel Aviv continuou bombardeando o país vizinho nesta quarta-feira (8).
O Líbano foi arrastado para o conflito após o grupo Hezbollah, aliado de Teerã, ter atacado o Estado judeu em retaliação ao início do conflito. Israel revidou e hoje ocupa o sul do território vizinho.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou nesta quarta que espera que o país seja incluído na trégua. Nas negociações, Teerã indicou que, para aceitar o acordo, exigiu o fim dos ataques contra seus aliados na região. Inclusive, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que costurou o plano, afirmou que as partes haviam aceitado um cessar-fogo “em todos os lugares”.
O Exército de Israel disse que realizou uma ofensiva contra cerca de cem alvos do Hezbollah em diversas regiões do Líbano, incluindo a capital Beirute, Vale do Bekaa, no leste, e o território ao sul, descrevendo a operação como o “maior ataque” à infraestrutura do grupo desde o início do conflito.
O Ministério da Saúde do Líbano afirmou que há dezenas de mortes e centenas feridos, sem especificar números exatos. O primeiro-ministro Nawaf Salam pediu que países aliados a pôr fim aos ataques israelenses.
O embaixador do Irã nas Nações Unidas afirmou que Israel deve respeitar o cessar-fogo no país. Qualquer ataque complicaria a situação e teria consequências, apontou. As Forças Armadas da República Islâmica afirmaram que irão apoiar “as frentes de resistência” no Líbano, no Iêmen e no Iraque.
O Hezbollah pediu que os moradores deslocados devido ao conflito evitem voltar para suas casas antes que um acordo de cessar-fogo com o Líbano seja anunciado. As Forças Armadas do Líbano também pediram que os habitantes esperassem antes de retornar ao sul do país.
Israel realizou ataques contra um prédio na região de Tiro, de acordo com um jornalista da AFP, pouco depois de uma nova ordem de evacuação para aquela área ser emitida pelo Exército. De acordo com a mídia estatal libanesa, Tel Aviv também bombardeou áreas nos subúrbios de Beirute, um reduto do Hezbollah.
Diante da incerteza sobre a situação, Espanha e França pediram que a trégua inclua o Líbano. O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, disse em uma entrevista a uma rádio que é “inaceitável” que Israel mantenha os ataques contra o país vizinho.
Já o primeiro-ministro Pedro Sánchez celebrou o acordo, mas criticou indiretamente o presidente Donald Trump. “Os cessar-fogos são sempre uma boa notícia”, mas o “governo da Espanha não aplaudirá aqueles que incendiam o mundo e depois aparecem com um balde de água”, escreveu o líder em um post.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o cessar-fogo deveria incluir o Líbano.
Trump recuou novamente e aceitou na terça-feira (7) uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo do conflito. Antes de aceitar o acordo, o americano ameaçou obliterar a infraestrutura civil do Irã e disse que “uma civilização inteira” morreria naquela noite.
Em postagem na rede Truth Social, Trump disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra o estreito de Hormuz durante a trégua – Teerã disse que o fará por duas semanas “em coordenação com as Forças Armadas” iranianas.
O regime iraniano, por sua vez, confirmou que as negociações com os EUA acontecerão na capital paquistanesa, Islamabad, a partir da próxima sexta-feira (10). O país persa reforçou que as negociações não significam o fim imediato da guerra e que este acordo somente será aceito quando os detalhes do plano de dez pontos forem finalizados.
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