Sob risco de desapropriação por dívidas, Jóquei Clube de Goiás aposta no Hipódromo da Lagoinha para se reerguer
Ao Portal 6, presidente do clube também revelou planos para construção de uma nova sede social

Clube tradicional de Goiânia, com história associada ao crescimento e desenvolvimento da capital, o Jóquei Clube de Goiás enfrenta hoje um batalha contra os débitos para se manter vivo.
Com dívidas acumuladas que chegam a R$ 280 milhões, principalmente relacionadas ao IPTU, a instituição busca reverter um cenário de deterioração e inatividade, apostando em uma nova gestão e projetos ambiciosos para o futuro.
Em entrevista ao Portal 6, Nívea de Paula, presidente do Jóquei Clube, detalhou os desafios e as esperanças para a revitalização.
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A principal preocupação do clube reside na colossal dívida de IPTU. Segundo Nívea de Paula, o município alega que o prédio sede, que fica na Rua 3, no setor Central, possui uma dívida do imposto avaliada em torno de R$ 50 milhões.
No entanto, o problema maior é o débito do Hipódromo da Lagoinha, que, devido ao tamanho da área, já chegou a R$ 20 milhões anuais e hoje está em quase R$ 10 milhões. “É um valor impagável”, afirma Nívea.
A prefeitura já anunciou a desapropriação da sede social e alertou que, se não houver uma composição, o hipódromo também poderá ser desapropriado para quitar a dívida.
“Hoje os nossos esforços são concentrados em regularizar o Jóquei, tanto que quando a gente assumiu em janeiro não tinha nem CNPJ apto”, explica a presidente, destacando o trabalho de regularização em todos os órgãos, incluindo no Ministério da Agricultura, para evitar o cancelamento da carta patente que possibilita as apostas nas corridas de cavalos.
As negociações com o poder público estão em andamento. Segundo Nívea, a gestão de Sandro Mabel (UB) tem demonstrado disposição para ajudar na composição da dívida.
Processo de desapropriação da sede social
Um processo de desapropriação foi proposto pelo município, e o Jóquei Clube está em fase de defesa.
Mas um dos pontos de divergência é sobre a avaliação do imóvel da sede social, que o município avaliou em R$ 36 milhões para a área construída e R$ 48 milhões para a área total. Contudo, houve depreciação de aproximadamente R$ 26 milhões da área construída.
“Nós não entendemos essa depreciação feita pelo município”, pontua Nívea, ressaltando que a construção, apesar do abandono, está intacta estruturalmente e conta com premiações internacionais pelo projeto arquitetônico.
A sede social do Jóquei Clube está fechada há mais de 20 anos, o que transformou a associação em um clube sem receita.
De acordo com Nívea de Paula, a queda do movimento pode ser atribuída a uma combinação de fatores, incluindo as mudanças na sociedade, o surgimento de outras opções de lazer na cidade e, principalmente, a falta de gestão em períodos anteriores.
À reportagem, ela mencionou um período em que o Jóquei fez um contrato com uma faculdade da capital, que, segundo ela, não cumpriu com as garantias. Houve, inclusive, a suspensão do pagamento de impostos, o que agravou a depreciação do clube.
Novos projetos
Para o futuro, a atual diretoria busca construir um “novo Jóquei”, com uma proposta de gestão transparente e o envolvimento dos joqueanos.
Atualmente, o clube conta com 1.750 famílias de sócios remidos, e a diretoria planeja um trabalho de chamamento para regularização e renovação dos titulares.
“A gente quer resgatar essas famílias joqueanas. Eu entendo que quando a gente pega nas mãos uns dos outros, a gente fica mais forte”, diz Nívea.
A visão para o futuro inclui a construção de um novo Jóquei em torno do Hipódromo da Lagoinha, que será novo centro das atividades.
“Ele vai ter a sede social junto, claro, mas o principal será o hipódromo, que a gente vai desenvolver mais, pensando no mundo dos cavalos e nas corridas dos puros-sangues ingleses”, explica a presidente.
A ideia é estreitar relações com outros jóqueis clubes no Brasil para aprender com as melhores práticas do turfe.
Revitalização do Hipódromo da Lagoinha
Para o Hipódromo da Lagoinha, os projetos visam atrair não apenas os sócios e conhecedores do turfe, mas também o público goianiense em geral.
As corridas, que acontecem uma vez por mês, são promovidas como um evento familiar. “A gente tem se esforçado bastante para promover ali dentro do hipódromo um ambiente para as famílias”, destaca Nívea.
As corridas ocorrem no meio da tarde, com duração de cerca de duas horas, e oferecem a oportunidade de apreciar um belo pôr do sol. A entrada é gratuita, há estacionamento amplo, e o ambiente é tranquilo, com restaurante e food trucks.
“Cada dia que passa é uma vitória para nós. Cada corrida já quando a gente realizou a segunda corrida, a gente fala: ‘Que bom, que bom que a gente tá conseguindo entregar aquilo que nos comprometemos a fazer'”, celebra Nívea.
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