Especialistas fazem alerta preocupante diante da baixa vacinação e avanço de casos graves entre crianças em Goiás
Mobilização para o Dia D no municípios tenta ampliar a adesão às vacinas antes do pico de circulação das doenças

O aumento de casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado de Goiás acendeu um novo alerta sobre a cobertura vacinal para a influenza entre os grupos prioritários, especialmente as crianças menores de 6 anos.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) indicam que, entre as crianças, a cobertura vacinal é de apenas 21,89%, taxa muito distante da média do estado, que é de 32,10%, e da média nacional, de 33,32%.
Entre idosos, o índice é de 36,39%, enquanto gestantes apresentam 39,23% de cobertura.
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Ainda segundo os números da SES, cerca de 60% dos 3.870 casos de SRAG registrados no estado em 2026 ocorreram em crianças menores de seis anos.
O cenário preocupa, especialmente por coincidir com o período de maior circulação de vírus respiratórios, intensificado pelas condições de frio e tempo seco.
Em entrevista ao Portal 6, o médico e infectologista Boaventura Braz de Queiroz, a menor maturidade imunológica de crianças até de seis anos, somada à intensa circulação de vírus e bactérias, explica o elevado número de casos graves entre o público.
“Essa população tem o sistema imunológico menos preparado para se proteger desses inúmeros vírus circulantes e bactérias”, disse.
Segundo o médico a queda na cobertura vacinal também está relacionada principalmente à diminuição da percepção de risco por parte dos pais, que hoje não convivem mais com a ocorrência frequente de doenças graves evitáveis por vacinação.
“Hoje não temos, por parte dos pais, o sentimento da necessidade dessas vacinas. Tendo em vista que eles não têm visto pessoas adoeceres devido ao sarampo, a caxumba, a rubéola, que eram doenças graves que matavam. Por isso, tem ocorrido esse relaxamento na vacinação”, disse Boaventura, em entrevista.
Para Marcelo Daher, médico e infectologista, o quadro está relacionado não só à influenza, mas também do vírus sincicial respiratório no público infantil.
“Entre crianças menores de 2 anos, a maioria dos casos é causada pelo vírus sincicial respiratório, enquanto nos adultos, a maioria é causada pelo influenza A H3N2, cepa K. Então, nós temos hoje um cenário de vírus distintos, com doenças distintas e em faixas etárias distintas”, informou.
Para todos os grupos prioritários, existem vacinas disponíveis tanto na rede pública quanto privada. Para o vírus sincicial, o imunizante é disponibilizado para as gestantes a partir da 28 semana de gestação.
O imunizante estimula o corpo da mãe a produzir anticorpos, que são passados para o bebê pela amamentação e o protegem logo após o nascimento.
“A vacina está aí e os casos estão acontecendo. O uso da vacina diminui de maneira importante não só o número de casos graves, mas também o numero de internações e de óbitos. Então é muito importante usarmos a vacinação. Lembrando que a vacina de 2025 não serve para 2026, sendo que ela precisa ser atualizada”, completa o médico.
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Impacto da vacinação
Uma análise realizada pelo Centro de Inteligência Epidemiológica da SES/GO (CIE/SUVISA/SES), com base em dados de 2025, investigou mais de 9,5 mil casos de SRAG.
Desses, 1.868 foram associados à influenza. Entre esses casos, mais de 77% correspondiam a pessoas que não haviam sido vacinadas. No recorte dos óbitos, o levantamento aponta que 84% das 700 mortes analisadas ocorreram em indivíduos sem imunização contra a doença.
Os dados também sugerem uma relação entre vacinação e menor gravidade dos quadros clínicos.
De acordo com a pesquisa, pessoas vacinadas apresentaram menor necessidade de internação em unidades de terapia intensiva e menor taxa de intubação em alguns grupos.
Entre crianças de 1 a 4 anos, a redução estimada do risco de evolução grave chegou a cerca de 66%. Em pacientes com doença renal crônica, a queda no risco foi de aproximadamente 62%.
“Nós temos proteções extras e muitos boas disponíveis nas redes pública e privada. Lembrando que a Covid não acabou, ela ainda acontece, principalmente em pessoas mais velhas, e nós temos vacinas disponíveis para esses grupos que podem e devem ser aplicadas anualmente”, finalizou Marcelo Dahrer.
Dia D para vacinação nos municípios
Com o cenário de baixa cobertura vacinal, a SES também tem incentivado a mobilização dos municípios para ações de vacinação, incluindo o “Dia D” programado para este sábado (23), com o objetivo de ampliar a cobertura entre os grupos prioritários.
A subsecretária de Vigilância em Saúde da SES, Flúvia Amorim, reforça a importância da imunização, especialmente entre o público infantil.
“A vacinação é uma medida segura e eficaz, que reduz significativamente o risco de casos graves, internações e óbitos. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis procurem as salas de vacinação e garantam a proteção das crianças no período de maior circulação dos vírus respiratórios”, orienta.
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