Dívidas, juros altos e crédito caro pressionam empresas e aumentam busca por recuperação judicial, aponta especialista

Rafael Brasil explica ao Portal 6 ao Vivo as diferenças entre os mecanismos e como ficam os valores a receber

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Dívidas, juros altos e crédito caro pressionam empresas e aumentam busca por recuperação judicial, aponta especialista
Rafael Brasil explica os efeitos para diferentes setores e mostra quais alternativas podem ser avaliadas antes de uma crise maior. (Foto: Captura de tela/Youtube/Portal 6)

O aumento das dívidas e o custo elevado do crédito têm colocado empresas de diferentes setores diante de dificuldades financeiras. O cenário foi analisado pelo advogado especialista em Direito Empresarial Rafael Brasil durante participação no Portal 6 Ao Vivo, nesta segunda-feira (31).

Segundo o advogado, a recuperação judicial não significa que uma empresa esteja quebrada ou prestes a fechar as portas. O mecanismo existe justamente para permitir que negócios em dificuldade continuem funcionando enquanto reorganizam suas dívidas e negociam formas de pagamento com os credores.

“A recuperação ela serve justamente para que essa empresa não feche as suas portas e ela continue com atividade”, explicou Rafael.

Na avaliação do especialista, o atual cenário econômico, marcado por juros elevados, crédito mais caro e dificuldades em diferentes setores, contribui para o aumento da pressão sobre os negócios.

Durante a entrevista, ele citou a existência de milhões de CNPJs com algum tipo de restrição financeira e afirmou que muitas empresas acabam entrando em um ciclo no qual faturam menos ao mesmo tempo em que precisam pagar mais caro pelo crédito.

O advogado também apontou diferenças entre os setores. No agronegócio, por exemplo, mencionou perdas relacionadas à produção de milho em Goiás e os impactos de fatores climáticos sobre a capacidade de pagamento dos produtores.

Já no varejo, Rafael destacou a mudança no comportamento dos consumidores e o crescimento das compras pela internet. Para ele, lojas físicas enfrentam custos elevados com aluguel, funcionários, logística e manutenção, enquanto operações digitais conseguem trabalhar com despesas diferentes.

O caso das Casas Bahia também foi discutido durante o programa. De acordo com o especialista, empresas que entram em recuperação judicial podem adotar medidas para reduzir despesas, incluindo fechamento de unidades e ajustes no quadro de funcionários.

Ele explicou ainda que os trabalhadores demitidos passam a ter créditos a receber dentro do processo, assim como outros grupos de credores.

Consumidor continua pagando

Para quem possui uma dívida com uma empresa que entrou em recuperação judicial, a situação também gera dúvidas.

Rafael explicou que o consumidor deve continuar pagando normalmente aquilo que comprou ou contratou.

Isso ocorre porque a empresa continua funcionando durante o processo e também possui valores a receber.

Portanto, uma compra parcelada, por exemplo, não deixa de existir automaticamente porque a companhia entrou em recuperação judicial.

Produtor rural

Durante a entrevista, o advogado também explicou como o mecanismo pode ser utilizado por produtores rurais. Desde mudanças na legislação, produtores que atendem aos requisitos podem recorrer à recuperação judicial.

Rafael alertou que a decisão de renegociar dívidas diretamente com instituições financeiras deve ser analisada com cuidado. Segundo ele, novos contratos podem prolongar ou aumentar o custo da dívida.

Na recuperação judicial, depois que o pedido é aceito pela Justiça, existe um período de suspensão das cobranças previsto na legislação, que pode chegar a seis meses, com possibilidade de prorrogação por mais seis. Durante esse período, são realizadas negociações com os credores para construção de um plano de pagamento.

Para o advogado, procurar orientação profissional antes de a situação chegar ao limite pode fazer diferença. “O melhor momento foi ontem e o segundo melhor momento que você precisa pelo menos entender, procurar um advogado é hoje”, afirmou.

A entrevista completa está disponível no Portal 6 Ao Vivo, programa exibido de segunda a sexta-feira, às 18h30, no canal oficial do Portal 6 no YouTube.

Confira a entrevista na íntegra: 

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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