Clínicas de Goiás ficam proibidas de usar PMMA a partir de junho; entenda riscos
Segundo o CFM, substância pode causar complicações severas de curto prazo, incluindo infecções e crises alérgicas

A partir desta terça-feira (02), os estabelecimentos médicos em Goiás e no restante do país não poderão mais utilizar o polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos de preenchimento.
A determinação parte de uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que veta o composto tanto para tratamentos estéticos quanto reparadores.
Originalmente aplicado na confecção de lentes de contato e placas rígidas, o acrílico ganhou espaço na medicina reparadora e no mercado da beleza em formato de microesferas injetáveis.
Contudo, como apontado pelo CFM, essa versão líquida aplicada no corpo é capaz de desencadear complicações severas de curto prazo, incluindo infecções e crises alérgicas.
O principal perigo reside na permanência definitiva da substância no organismo, o que costuma provocar inflamações crônicas e danos renais severos ao longo dos anos.
O plano do conselho federal é erradicar totalmente a circulação do produto no território nacional. Para que isso ocorra, a autarquia planeja uma interlocução com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com o intuito de retirar o item do mercado consumidor.
Impactos nas clínicas goianas
Em entrevista ao Portal 6, o presidente da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS), Dr. Eduardo Ferro, manifestou apoio à decisão da autarquia como uma ação de segurança pública.
O médico alerta que o PMMA acabou sofrendo um processo de banalização perigoso em clínicas goianas e também de outros estados nos últimos anos.
“O PMMA, infelizmente, se tornou um produto banalizado, que deixou de ser usado por somente médicos. Outras especialidades começaram a usá-los em clínicas, até clandestinamente.”
Para reparações estéticas, o composto tinha indicação restrita para corrigir a perda de gordura facial (lipodistrofia) em pacientes com HIV que utilizam antirretrovirais.
Porém, como conta o médico, o mercado da beleza passou a injetar volumes exagerados da substância em áreas não recomendadas, como na região glútea. Essas intervenções representam uma ameaça severa à vida devido à presença de vasos sanguíneos calibrosos na região.
“Quem faz o uso indiscriminado, geralmente não passa esses riscos para os pacientes. Então, já é um paciente que chega chocado com uma notícia de uma gravidade, uma sequela”, disse à reportagem.
Quando surgem as reações adversas crônicas, a retirada do acrílico exige cirurgias reconstrutivas complexas e que, muitas vezes, deixam mutilações em áreas nobres, como rosto e glúteos.
Como o PMMA se infiltra profundamente, é impossível removê-lo sem extrair também porções de carne saudável.
Alternativas ao composto
Segundo Eduardo Ferro, para a população que busca procedimentos estéticos de que deem volume, o mercado médico já oferece alternativas muito mais seguras.
“Nós temos outros tipos de preenchedores, como a própria gordura do nosso corpo ou produtos como hidroxiapatita ou ácido hialurônico. A diferença é que esses materiais são absorvíveis, eles são temporários”, finalizou.
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