Era mãe e dona de casa, virou bioconstrutora e ergueu sozinha um domo de superadobe de 24 toneladas
Técnica feita com terra, esforço físico e planejamento mudou a rotina de uma mulher que decidiu aprender a construir do zero

Durante anos, a rotina dela esteve ligada à casa, à família e aos afazeres do dia a dia. Mas uma curiosidade aparentemente simples acabou abrindo caminho para uma transformação que mudaria completamente sua relação com o trabalho, a moradia e a própria capacidade de construir.
Lorena Zabala era mãe e dona de casa quando começou a se interessar por bioconstrução.
Sem vir de uma trajetória tradicional na construção civil, ela passou a estudar técnicas sustentáveis e encontrou no superadobe uma forma diferente de erguer paredes, criar abrigo e repensar o uso da terra.
- Fim do sofá quadrado: modelo clássico dos anos 80 volta com tudo e vira tendência nas salas em 2026
- Seu Geraldo, açougueiro há 30 anos: “Tem tempero que a pessoa coloca achando que melhora, mas acaba escondendo o sabor da carne”
- Adeus, “língua-de-sogra”: planta clássica da época dos avós volta com tudo, ocupa menos espaço e vira tendência em apartamentos, segundo arquitetos
A técnica consiste no uso de sacos ou tubos preenchidos com terra compactada, empilhados em camadas até formar estruturas resistentes.
Com planejamento, força física e paciência, essas camadas vão ganhando forma até se transformar em paredes curvas, cúpulas e domos.
Foi com esse método que Lorena decidiu construir um domo de superadobe de cerca de 24 toneladas.
A obra foi feita com as próprias mãos e marcou uma virada em sua vida, transformando uma antiga curiosidade em profissão.
O projeto exigiu muito mais do que vontade.
Cada etapa envolveu preparo do solo, preenchimento dos sacos, compactação, alinhamento das camadas e cuidado com a estabilidade da estrutura.
O resultado foi uma construção feita basicamente com terra, técnica e persistência.
O domo chamou atenção não apenas pelo peso ou pelo formato incomum, mas pelo significado da obra.
Para Lorena, erguer aquela estrutura representou provar para si mesma que era possível aprender uma habilidade do zero e transformar conhecimento em autonomia.
A bioconstrução também trouxe uma nova forma de olhar para a moradia.
Em vez de depender apenas de materiais industrializados, a técnica valoriza recursos naturais, aproveitamento do solo e soluções mais integradas ao ambiente.
Apesar disso, o superadobe não deve ser visto como algo simples ou improvisado.
A construção exige estudo, orientação, base adequada, proteção contra umidade e acabamento correto para garantir segurança e durabilidade.
Depois da experiência, Lorena passou a atuar como bioconstrutora e a compartilhar o que aprendeu com outras pessoas.
O que começou como uma busca pessoal virou caminho profissional e abriu espaço para cursos, projetos e novas construções.
A história chama atenção porque rompe uma ideia comum: a de que construção é um território distante para quem nunca trabalhou na área.
Com estudo e prática, ela transformou uma técnica sustentável em ferramenta de trabalho e mudança de vida.
No fim, o domo de 24 toneladas não representa apenas uma obra feita de terra.
Ele simboliza a virada de uma mulher que saiu da rotina doméstica, enfrentou o desconhecido e encontrou na bioconstrução uma nova forma de construir casas, possibilidades e futuro.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








