Influenciadora de Anápolis entra na Justiça após sofrer corte químico em visita a cabeleireira: “é a coisa mais valiosa que tenho”

Empresária deu detalhes dos procedimentos ao Portal 6 e relatou resistência da profissional durante meses de tentativas de reparar o prejuízo

Natália Sezil -
Antes e depois do cabelo da influenciadora Maraiza Alves, após experiência ruim em salão de beleza de Anápolis.
Antes e depois do cabelo da influenciadora Maraiza Alves, após experiência ruim em salão de beleza de Anápolis. (Foto: Arquivo pessoal)

“O meu cabelo é a coisa mais valiosa que eu tenho, e ela estragou isso”. É assim que a influenciadora Maraiza Alves, proprietária da Bendito Cílios, de Anápolis, descreve a experiência que teve com uma cabeleireira da cidade.

Nos últimos meses, Maraiza tem usado as redes sociais para expor a situação, contando que sofreu corte químico e está desde outubro lutando para recuperar a saúde do cabelo. Considerou a experiência tão ruim que resolveu buscar solução na Justiça.

Ela processou a cabeleireira por danos morais e materiais, pelo que foi causado aos fios e também pelos produtos usados em tratamentos posteriores. Ganhou indenização de R$ 3 mil pelo primeiro e de R$ 1.082,30 pelo segundo. Ainda cabe recurso.

Maraiza contou ao Portal 6 que a situação começou em outubro de 2025, quando foi procurada pela profissional para um tratamento de decapagem capilar – procedimento químico que remove pigmentos artificiais de cabelos tingidos. A contrapartida seria a divulgação do salão.

À época, ela tinha o cabelo azulado, mas decidiu que queria voltar ao castanho e resolveu aceitar o convite. Foi até o estabelecimento, onde alega ter deixado claro logo no início: “já contei na internet que já fui careca quando criança, expliquei isso para ela e disse que meu cabelo era a coisa mais valiosa que eu tinha”.

Com medo de frequentar cabeleireiros, ela explica que o que já costuma afetar a autoestima de muitas pessoas, para ela, ainda trazia memórias ruins. Contou que foi careca, dos 11 aos 15 anos, por conta de uma condição médica gerada pelo estresse. “Consegui recuperar meu cabelo depois de muito tempo tentando, e tenho tomado muito cuidado desde então”.

Maraiza alega que contou a situação à profissional e só então deu início ao procedimento. Depois, combinaram de aplicar luzes. “Mas achei estranho que ela colocou uma sacola na minha cabeça. Eu sabia que se colocava em hidratação, quando fazia em casa, mas nunca tinha feito daquele jeito. Perguntei, e ela disse que era para esquentar, para descolorir mais rápido”.

Não demorou para que começasse a sentir ardência. “Minha testa ficou vermelha e começou a arder muito, até minhas orelhas ficaram. Eu pedi para ela tirar a sacola e ela disse que tinha que esperar mais 20 minutos. Pedi de novo depois, e ela pediu 10 minutos. Falei que estava insuportável”.

“Quando tiramos notei que tinha algo errado. Meu cabelo estava elástico”. A influenciadora afirma que voltou a questionar a profissional, mas ouviu que a vermelhidão provavelmente se tratava de uma reação alérgica, e que um procedimento de hidratação resolveria a elasticidade do cabelo.

Ao começar a hidratação, no entanto, diz ter sentido cheiro de formol. “Perguntei, e ela disse que estava aplicando um botox, para ajudar a relaxar os fios. Mas senti cheiro de formol, como se fosse uma progressiva”, relata. “Pedi para ela lavar na hora, tirar aquilo do meu cabelo, e comecei a gravar. Foi quando vi que uns 40% do meu cabelo já tinha ficado no lavatório”.

Antes de sair do salão, Maraiza ainda pediu por uma secagem, mas defende que recebeu uma escova. Notou o problema novamente: “ela trocou a escova umas cinco ou sete vezes, e todas elas saindo cheias de cabelo. Eu era a única cliente, então não tinha como ser de outras pessoas”, relembra.

Tentativa de resolver

Maraiza alega que a profissional, a todo momento, tentava negar o dano capilar causado. E conta: “depois disso, só pedi que ela me devolvesse o meu cabelo. Consertasse o que tinha feito. Eu apareço na frente de várias pessoas, sou referência na internet e tinha contado para ela sobre minha experiência, como ia aparecer com o cabelo daquele jeito?”.

Entre outubro e janeiro, a influenciadora relembra que tentou fazer inúmeros procedimentos de hidratação. “Eu comprava os produtos e levava para ela, porque não teria coragem de tentar ir a outro salão novamente. Mas ela se negava a arcar com o preço dos produtos para resolver o problema”.

Foi quando resolveu entrar na Justiça e começou a contar o ocorrido nas redes sociais. Vinha relatando a experiência no TikTok desde então, mostrando como ficou o cabelo e como estava depois de diversos tratamentos caseiros.

Oito meses depois do primeiro contato, Maraiza avalia que a decisão judicial não foi o suficiente. “O valor decidido não paga todos os meus produtos, nem a terapia que tive que passar a fazer depois do que aconteceu”, defende.

O Portal 6 entrou em contato com o advogado da cabeleireira, Dr. Caio Antônio, que afirmou que pretende entrar com recurso porque o processo ainda não possui decisão definitiva.

Para ele, a influenciadora não tem provas que demonstrem que a empresa foi responsável pelo dano capilar. Destacou, ainda, que o Tribunal voltará a analisar o uso dos vários produtos caseiros após a visita ao salão.

Confira a nota na íntegra:

O processo ainda não transitou em julgado e, portanto, não possui decisão definitiva. Até o momento, foi proferida sentença em primeiro grau, estando em curso o prazo legal para a interposição do recurso.

A defesa apresentará o recurso cabível, por entender que a sentença merece reforma. Isso porque, no entendimento da requerida, a autora não produziu provas suficientes para demonstrar a culpa da empresa, tampouco o nexo de causalidade entre a conduta da requerida e os danos alegados.

Ressalta-se, ainda, que a própria autora declarou em audiência fazer uso de diversos produtos caseiros e confirmou que havia iniciado, por conta própria, um procedimento em sua residência, circunstâncias que serão novamente submetidas à apreciação do Tribunal, o qual a Requerida confiava pela reforma da sentença de primeiro grau.

 

 

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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