EUA sinalizam novo tarifaço ao Brasil, e lista de exceções deve ser ampliada

Em contrapartida, integrantes do governo brasileiro vão recomendar ao presidente Lula a adoção de medidas de reciprocidade aos Estados Unidos

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Fachada da Casa Branca, em Washington. (Foto: Braden Fee/Youtube)

NATHALIA GARCIA E ISABELLA MENON

BRASÍLIA, DF, E WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O representante de comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, sinalizou para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que será mantida a recomendação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. A decisão, segundo relatos de uma autoridade brasileira, sairá nesta quarta-feira (15) e deve trazer a ampliação da lista de produtos isentos – o setor privado também acredita que outros segmentos sejam poupados da sobretaxa de 25%.

A investigação foi concluída no início de junho. Em seguida, foram abertos comentários públicos e audiências aconteceram em Washington, onde o setor privado afetado, tanto do lado brasileiro quanto americano, se manifestou em sua maioria contra as tarifas.

A vigência das tarifas pode ser imediata ou acontecer poucos dias após a publicação da decisão, segundo esse mesmo interlocutor ouvido pela reportagem.

A apuração da seção 301 foi instaurada em julho de 2025 como uma das medidas anunciadas pelo republicano em reação ao que ele classificou como uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na carta do ano passado, o republicano disse que “a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar imediatamente”.

O governo brasileiro realizou reuniões com os americanos desde maio deste ano. Os encontros aconteceram após a visita de Lula na Casa Branca, onde foi acordado a criação de um grupo de trabalho com integrantes dos dois países para que pudessem avaliar conjuntamente as questões envolvidas no processo.

A expectativa era que o grupo trabalhasse por um mês em conjunto. Porém, a conclusão da investigação foi publicada antes do período. As reuniões entre o Brasil e os EUA continuaram, mas segundo relatos de aliados do governo petista, não havia abertura para negociações e os americanos taxariam o Brasil de qualquer forma.

Na terça-feira (14), o governo realizou uma última reunião com representantes americanos. Em nota divulgada pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o governo afirma que reiterou aos americanos “o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas”.

“Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas”, diz a pasta. “Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado.”

Como mostrou a Folha de S.Paulo, integrantes do governo brasileiro vão recomendar ao presidente Lula a adoção de medidas de reciprocidade aos Estados Unidos. A possibilidade foi mencionada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“O processo de reciprocidade foi iniciado no passado. A gente chegou a suspender a tramitação, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás do tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade”, disse.

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