Aos 5 anos, Clara não conseguia dizer o que sentia por causa da paralisia cerebral, e o pai, sem saber programar, aprendeu sozinho e criou uma plataforma que responde pelo movimento dos olhos e hoje dá voz a 65 mil pessoas em 11 países

Tecnologia adaptou-se aos movimentos da menina com paralisia cerebral e transformou o silêncio em autonomia para milhares de famílias

Gustavo de Souza -
Aos 5 anos, Clara não conseguia dizer o que sentia por causa da paralisia cerebral, e o pai, sem saber programar, aprendeu sozinho e criou uma plataforma que responde pelo movimento dos olhos e hoje dá voz a 65 mil pessoas em 11 países
(Imagem: Captura de Tela/YouTube – Livox)

Durante anos, cada necessidade de Clara dependia da interpretação de gestos, expressões e reações, por conta de sua paralisia cerebral. Embora acompanhasse o que acontecia ao redor, a menina não conseguia transformar pensamentos, desejos e sentimentos em palavras.

Quando Clara tinha 5 anos, o pernambucano Carlos Pereira decidiu buscar uma saída. Sem experiência em programação, ele passou a estudar sozinho durante as noites e criou a Livox, plataforma brasileira de comunicação alternativa lançada em 2013.

Tecnologia que se adapta

O sistema segue uma lógica diferente: em vez de obrigar o usuário a se adaptar ao equipamento, ajusta a interface às capacidades de cada pessoa. Cartões com imagens, textos e sons permitem formar frases, enquanto algoritmos identificam e ignoram toques involuntários.

Para quem não consegue usar as mãos, a ferramenta oferece rastreamento ocular. A câmera acompanha o olhar e as piscadas, permitindo selecionar respostas, palavras e imagens. Recursos de inteligência artificial também sugerem opções conforme o contexto da conversa.

Da casa para o mundo

Com a tecnologia, Clara passou a demonstrar que sabia ler e escrever, além de revelar gostos, opiniões e senso de humor. A mudança transformou a rotina da família e levou a solução doméstica às áreas de educação, reabilitação e autonomia.

Em junho de 2026, a Forbes Espanha informou que a Livox era usada por mais de 65 mil pessoas em 11 países. A plataforma atende usuários com paralisia cerebral, autismo, síndrome de Down, sequelas de AVC e outras condições que dificultam a comunicação.

Hoje, Clara participa de congressos ao lado do pai. A história dos dois mostra como uma necessidade íntima se tornou uma tecnologia capaz de devolver algo essencial: o direito de ser compreendido.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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