A cidade brasileira fundada há mais de 300 anos que preserva ruas de pedra e parece um pedaço de Portugal
Casarios coloniais, marés, literatura e antigas rotas comerciais ajudam a explicar a atmosfera singular desse destino histórico

Caminhar por esta cidade do litoral brasileiro exige atenção aos passos. Sob os pés, grandes pedras irregulares formam ruas cercadas por casarões brancos, janelas coloridas, igrejas antigas e construções que parecem ter atravessado o Atlântico.
O cenário lembra paisagens portuguesas preservadas pelo tempo. No entanto, também carrega marcas importantes da história econômica, cultural e social do Brasil.
Paraty preserva herança colonial
O destino é Paraty, localizado no litoral sul do Rio de Janeiro. A antiga Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paratii conquistou autonomia em 1667, embora a ocupação da região tenha começado décadas antes.
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O centro histórico preserva o traçado urbano colonial, com ruas estreitas, casarões, sobrados e templos religiosos. Em boa parte da área, a circulação de automóveis é restrita, o que reforça a sensação de retorno ao passado.
As pedras do calçamento, conhecidas pela superfície irregular, tornaram-se uma das imagens mais reconhecidas do município. Em determinados períodos, a maré também avança pelas ruas mais baixas e modifica temporariamente a paisagem.
Porto ligado ao Caminho do Ouro
A posição geográfica ajudou Paraty a ganhar relevância durante o período colonial. O porto era utilizado para escoar ouro e outras mercadorias transportadas pelo caminho que ligava o litoral às áreas de mineração em Minas Gerais.
Com a abertura de novas rotas e o declínio desse movimento comercial, a cidade perdeu importância econômica. O período de isolamento, porém, contribuiu indiretamente para evitar reformas profundas e preservar parte expressiva do conjunto arquitetônico.
Em 2019, o centro histórico passou a integrar o sítio “Paraty e Ilha Grande — Cultura e Biodiversidade”, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. A área reúne patrimônio histórico, Mata Atlântica, ambientes costeiros e comunidades tradicionais.
Flip transforma ruas em cenário literário
Além da arquitetura, Paraty ganhou projeção internacional por receber a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Criado em 2003, o evento reúne escritores, leitores, pesquisadores, artistas e representantes do mercado editorial.
Durante a programação, debates, lançamentos, apresentações e atividades educativas ocupam espaços históricos e casas parceiras. Em 2026, a Flip chegou à 24ª edição, realizada entre 22 e 26 de julho, com homenagem à poeta Orides Fontela.
A literatura, assim, passou a dividir espaço com as marcas do período colonial. Entre livros, pedras, marés e casarios, Paraty preserva a aparência de uma antiga vila portuguesa sem deixar de construir novas camadas de identidade cultural.
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