A cidade brasileira fundada há mais de 300 anos que preserva ruas de pedra e parece um pedaço de Portugal

Casarios coloniais, marés, literatura e antigas rotas comerciais ajudam a explicar a atmosfera singular desse destino histórico

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
A cidade brasileira fundada há mais de 300 anos que preserva ruas de pedra e parece um pedaço de Portugal
(Foto: Divulgação/Prefeitura de Paraty)

Caminhar por esta cidade do litoral brasileiro exige atenção aos passos. Sob os pés, grandes pedras irregulares formam ruas cercadas por casarões brancos, janelas coloridas, igrejas antigas e construções que parecem ter atravessado o Atlântico.

O cenário lembra paisagens portuguesas preservadas pelo tempo. No entanto, também carrega marcas importantes da história econômica, cultural e social do Brasil.

Paraty preserva herança colonial

O destino é Paraty, localizado no litoral sul do Rio de Janeiro. A antiga Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paratii conquistou autonomia em 1667, embora a ocupação da região tenha começado décadas antes.

O centro histórico preserva o traçado urbano colonial, com ruas estreitas, casarões, sobrados e templos religiosos. Em boa parte da área, a circulação de automóveis é restrita, o que reforça a sensação de retorno ao passado.

As pedras do calçamento, conhecidas pela superfície irregular, tornaram-se uma das imagens mais reconhecidas do município. Em determinados períodos, a maré também avança pelas ruas mais baixas e modifica temporariamente a paisagem.

Porto ligado ao Caminho do Ouro

A posição geográfica ajudou Paraty a ganhar relevância durante o período colonial. O porto era utilizado para escoar ouro e outras mercadorias transportadas pelo caminho que ligava o litoral às áreas de mineração em Minas Gerais.

Com a abertura de novas rotas e o declínio desse movimento comercial, a cidade perdeu importância econômica. O período de isolamento, porém, contribuiu indiretamente para evitar reformas profundas e preservar parte expressiva do conjunto arquitetônico.

Em 2019, o centro histórico passou a integrar o sítio “Paraty e Ilha Grande — Cultura e Biodiversidade”, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. A área reúne patrimônio histórico, Mata Atlântica, ambientes costeiros e comunidades tradicionais.

Flip transforma ruas em cenário literário

Além da arquitetura, Paraty ganhou projeção internacional por receber a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Criado em 2003, o evento reúne escritores, leitores, pesquisadores, artistas e representantes do mercado editorial.

Durante a programação, debates, lançamentos, apresentações e atividades educativas ocupam espaços históricos e casas parceiras. Em 2026, a Flip chegou à 24ª edição, realizada entre 22 e 26 de julho, com homenagem à poeta Orides Fontela.

A literatura, assim, passou a dividir espaço com as marcas do período colonial. Entre livros, pedras, marés e casarios, Paraty preserva a aparência de uma antiga vila portuguesa sem deixar de construir novas camadas de identidade cultural.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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