Aos 26 anos, bióloga criou sozinha sete filhotes de águia numa plataforma no meio de um lago, escondida para que as aves nunca perdessem o medo de gente, e uma das aves que soltou viveu 38 anos e gerou cerca de 70 filhotes

Durante dois anos, jovem pesquisadora viveu perto de uma torre isolada e participou de um experimento que mudaria uma espécie

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Aos 26 anos, bióloga criou sozinha sete filhotes de águia numa plataforma no meio de um lago, escondida para que as aves nunca perdessem o medo de gente, e uma das aves que soltou viveu 38 anos e gerou cerca de 70 filhotes
(Fotos: Reprodução/Chelsea Green/YouTube/Rochester Birding Association)

Aos 26 anos, Tina Morris recebeu uma missão pouco convencional: viver praticamente isolada em um refúgio de Nova York e cuidar de jovens águias-carecas sem permitir que elas soubessem quem as alimentava. Era 1976, e a espécie enfrentava uma grave crise nos Estados Unidos.

Morris, então ligada ao Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell, passou dois anos no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Montezuma. Ao todo, participou da criação de sete filhotes usando uma técnica conhecida como hacking.

Alimentação sem contato

Os animais eram mantidos em uma plataforma artificial elevada. Para evitar que associassem seres humanos à comida, Morris permanecia escondida e alimentava as aves sem contato direto. Depois, elas eram liberadas e monitoradas enquanto aprendiam a voar e buscar alimento.

O experimento deu resultado. As primeiras aves liberadas em Montezuma sobreviveram e algumas voltaram à região. Em 1980, duas das águias soltas em 1976 já estavam formando um ninho no norte do estado.

Uma delas entrou para a história

No ano seguinte ao início do projeto, Morris cuidou de M3, uma águia vinda de Michigan após sofrer uma fratura na perna. O animal se tornou especialmente marcante na trajetória da pesquisadora.

Décadas depois, Morris descobriu que M3 havia sobrevivido por aproximadamente 38 anos. Relatos ligados à história da ave atribuem a ela cerca de 70 filhotes ao longo da vida.

O projeto de Montezuma ajudou a demonstrar que a técnica funcionava com águias-carecas. Entre 1976 e 1989, o programa de restauração de Nova York acabaria soltando 198 filhotes na natureza.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Jornalismo Cultural.

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