Casal goiano é denunciado por tráfico de pessoas no Pará após oferecer R$ 1,5 mil por recém-nascido
Policial da reserva e companheira defendiam que caminho da adoção legal seria "cheio de burocracia" enquanto procuravam famílias carentes na Ilha do Marajó

Um casal goiano será julgado pelo crime de tráfico de pessoas após viajar para o Pará na tentativa de comprar um recém-nascido.
O policial militar Adedilço Alves Viana, de 58 anos, e a companheira dele, Brenda Rodrigues dos Santos, de 28, foram presos em dezembro de 2025 e denunciados pelo Ministério Público do Pará (MPPA) em junho deste ano.
Recentemente, o caso avançou pela formalização da denúncia, oferecida pelo promotor de Justiça de Portel, Ronaldo Carvalho Bastos Júnior.
Ele pediu uma indenização de R$ 100 mil por danos morais coletivos em favor das comunidades vulnerabilizadas da Ilha do Marajó, além do julgamento do casal. O próximo passo é a realização de uma audiência, que ainda não tem data para acontecer.
Em tempo
Os dois suspeitos são naturais de Niquelândia, no Norte goiano, mas foram até o Pará em 28 de novembro, com o objetivo de comprar um recém-nascido na Ilha do Marajó.
Lá, passaram por três cidades – Salvaterra, Melgaço e Portel – procurando por famílias carentes. O casal chegou a falar com o Conselho Tutelar, mas preferiu seguir pela adoção ilegal.
O policial da reserva teria afirmado que o processo legal “seria mais trabalhoso e iria demorar muito tempo”, enquanto a jovem argumentava que “era muito cheio de burocracia”.
Por isso, eles pediam ajuda para encontrar pais e mães que estivessem dispostos a vender bebês, sob a justificativa de que existiria “muita gente carente” na região, segundo informações do O Popular.
Em Melgaço, o casal tentou adotar uma recém-nascida de dois meses, oferecendo de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil pela criança. A negociação acabou quando a mãe desistiu de vender a filha.
Na cidade seguinte, em Portel, os suspeitos teriam tentado usar um intermediador, oferecendo pagar pela ajuda. O plano deu errado quando ele resolveu denunciá-los à polícia.
O homem continuou mantendo contato com Brenda enquanto colaborava com as autoridades, que passaram a monitorar ela e o companheiro.
No momento da prisão, Adedilço portava uma arma de fogo, roupas infantis e certidões de nascimento. Ele tentou resistir e, no depoimento, defendeu que “entrou de gaiato na história” e que tudo estava sendo conduzido pela jovem.
Já ela admitiu o que estavam tentando fazer e alegou que “a ideia de comprar” parecia “mais rápido do que a adoção legal”. A escolha pelo Marajó seria pelas famílias vulneráveis que vivem na região, o que tornaria “mais fácil fazer a compra”.
Segundo a Polícia Militar (PM) de Goiás, Adedilço é policial inativo e está na reserva remunerada. A corporação diz ter tomado todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis na época da prisão.
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