Aos 61 anos, homem que trabalha há 23 anos cortando grama faz cursinho após o expediente e passa em 3º lugar para Enfermagem na universidade federal
Entre jornadas e aulas, uma decisão pessoal abriu caminho para mudança profissional

Aos 61 anos, o jardineiro Alcyr Ataíde Carneiro transformou um antigo sonho em realidade ao conquistar o terceiro lugar para o curso de Enfermagem da Universidade Federal do Pará (UFPA), em 2020.
Morador de Belém, ele trabalhava havia pelo menos 23 anos cortando grama e decidiu voltar aos estudos depois de concluir o ensino médio décadas antes.
Na primeira tentativa de disputar uma vaga no ensino superior, conseguiu ficar entre os primeiros colocados do curso. A classificação aparece no resultado oficial do processo seletivo da universidade.
A preparação exigiu uma rotina dividida em várias etapas. Pela manhã, Alcyr trabalhava; à tarde, frequentava o cursinho pré-vestibular, das 13h30 às 18h; e, depois das aulas, continuava revisando o conteúdo em casa.
Ele estudava ao lado de jovens de 16 a 18 anos e, segundo relatos publicados na época, mantinha frequência constante, mesmo conciliando os estudos com o trabalho.
Antes de atuar como jardineiro, o paraense também havia sido recenseador, trabalhador de serviços gerais e cobrador de ônibus.

(Imagem: Reprodução)
Uma meta construída aos poucos
A escolha por Enfermagem também tinha relação com experiências pessoais. Alcyr contou à UFPA que passou por cinco cirurgias ao longo da vida e ficou marcado pelo atendimento recebido de profissionais de saúde.
A convivência com enfermeiros e enfermeiras durante esses períodos contribuiu para despertar o desejo de trabalhar na área.
Durante a preparação, ele manteve no quarto um jaleco que havia recebido de um sobrinho médico, usando a peça como símbolo da profissão que pretendia seguir.
A aprovação veio acompanhada de uma comemoração que também chamou atenção nas redes sociais. Após descobrir o resultado, Alcyr teve o cabelo raspado pela própria mãe, então com 90 anos, em uma imagem que rapidamente se espalhou pela internet.
A UFPA registrou posteriormente a história do novo aluno e destacou que ele havia retomado os estudos com a convicção de que a educação poderia abrir uma nova fase em sua vida.
Para ele, a idade não foi impedimento para voltar à sala de aula e buscar a formação que desejava.
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